O presidente francês, Emmanuel Macron, afirmou nesta sexta-feira (18/9) que a Rússia intensificou os ataques híbridos contra a Europa. Ele ordenou um plano para proteger infraestruturas críticas da França, depois de uma semana marcada por drones russos em quatro países europeus.

O estopim da crise atual é o ataque com drone-bomba ao Aeroporto de Leipzig/Halle, na Alemanha, na madrugada de 4 para 5 de agosto. O ministro do Interior alemão, Alexander Dobrindt, atribuiu o ataque à Rússia em 1º de setembro, com base em investigação policial.

Em resposta, a Alemanha fechou o consulado-geral russo em Bonn nesta sexta-feira. Moscou chamou a medida de retaliação "pouco amigável" e nega envolvimento no ataque.

Desde a noite de domingo (14/9), a escalada soma pelo menos cinco episódios. Um drone atingiu um trem que levava ex-autoridades ocidentais perto da fronteira entre a Ucrânia e a Polônia, e outro foi abatido na Lituânia.

Um terceiro drone foi encontrado na costa polonesa, um helicóptero dinamarquês escapou por pouco de um sinalizador russo, e trens holandeses foram paralisados por sabotagem ainda não reivindicada.

Segundo o embaixador dos Estados Unidos na Otan, Matthew Whitaker, o episódio de Leipzig está entre as "ações híbridas mais preocupantes" já registradas na Europa, e não será tolerado.

A intenção é nos intimidar e romper nossos esforços de apoio à Ucrânia. O resultado será exatamente o oposto. Não nos deixamos intimidar, pois sabemos que nossa segurança, hoje e amanhã, está em jogo na Ucrânia.

A fala foi dada por Macron durante coletiva de imprensa no Palácio do Eliseu, nesta sexta (18/9), após reunião com líderes partidários franceses sobre segurança.

Qual é a estratégia por trás dos ataques?

A Rússia busca provocar a Europa sem cruzar a linha de um conflito aberto, conforme análise da imprensa internacional sobre o padrão dos ataques. A tática combina sabotagem, drones e ciberataques para pressionar o Ocidente sem acionar resposta militar direta da Otan.

O objetivo, nessa leitura, é duplo. De um lado, encarecer o custo político de apoiar a Ucrânia, pesando sobre eleitores europeus enquanto partidos de direita pró-Rússia avançam nas urnas.

De outro, testar os limites do Artigo 5 da Otan, cláusula que trata um ataque a qualquer país-membro como um ataque a todos.

Um diplomata europeu, ouvido sob condição de anonimato, resumiu a mudança de patamar. Para ele, o que hoje é quase rotina teria provocado uma reunião de emergência da Otan há poucos meses.

Enquanto isso, os Estados Unidos mantêm o fornecimento de armas à Ucrânia por um esquema que não sai do orçamento americano, e o governo Trump ampliou nesta semana as sanções contra autoridades russas ligadas a Putin.

O que acontece agora

Líderes europeus discutem reforço da vigilância aérea nas fronteiras com a Rússia e a Bielorrússia, enquanto a França avança no plano anunciado por Macron para proteger usinas, portos e instalações de defesa.

Não é a primeira vez que a aliança lida com drone russo em seu território. Em maio, um drone atingiu um prédio residencial na Romênia e deixou feridos, primeiro ataque a ferir civis num país da Otan desde o início da guerra.