Uma coluna de fumaça preta subiu perto do Aeroporto Internacional Rei Khalid, em Riad, neste sábado (19/9), após um incêndio em um depósito de combustível da Aramco. Os rebeldes houthis do Iêmen reivindicaram o ataque com mísseis e drones contra a capital saudita.

A Defesa Civil saudita emitiu alertas durante a madrugada sobre risco de ataques aéreos em Riad e na cidade de Al-Kharj, e depois avisou que "o perigo havia passado". O governo saudita não confirmou de imediato os ataques.

Foi o primeiro alerta de defesa aérea em Riad desde que a guerra com os houthis recomeçou em julho, quando o grupo declarou um bloqueio naval contra o país.

Segundo o porta-voz militar dos houthis, Yahya Saree, "as Forças Armadas do Iêmen realizaram duas operações militares bem-sucedidas usando um grande número de mísseis balísticos, de cruzeiro e drones". A primeira mirou Riad; a segunda, instalações da Aramco em Yanbu.

O grupo classificou a ação como resposta a um bombardeio saudita contra Sanaa, capital do Iêmen.

Ouvi o alarme, depois minhas janelas tremeram. Foi bem assustador.

O relato é de um morador de Riad ouvido pela imprensa internacional. Outro disse ter visto "fumaça preta e fogo" na direção do aeroporto pouco depois da explosão.

O Aeroporto Rei Khalid chegou ao nível máximo de perturbação no FlightRadar24, com voos cancelados e atrasos longos, mas a situação foi normalizada horas depois.

Qual o efeito no preço dos combustíveis?

O ataque reacende o temor de desabastecimento numa rota que já pressiona o petróleo há semanas. Um drone atingiu o oleoduto Leste-Oeste saudita nos dias anteriores, e o porto de Yanbu chegou a operar com apenas cinco a sete dias de estoque.

O petróleo Brent chegou a ser negociado perto de US$ 108 o barril nesta semana. Nos Estados Unidos, o diesel bateu recorde de US$ 6,23 o galão.

No Brasil, a repetição de ataques a instalações sauditas já custou R$ 6,6 bilhões em gastos do governo para conter o preço do diesel ao consumidor.

É a mais recente de uma série de ações dos houthis contra o comércio saudita. Em 13 de setembro, o grupo já havia fechado o cerco ao Estreito de Bab el-Mandeb, levando o Brent a US$ 109,97.

O que acontece agora

A guerra entre a Arábia Saudita e os houthis, retomada em julho após o colapso da trégua de 2022, não tem data prevista para uma nova rodada de negociação.

No Brasil, o alívio no preço dos combustíveis depende da mesma trégua que ainda não veio. Sem previsão de acordo, a conta para segurar o diesel tende a continuar subindo enquanto a guerra durar.