Metade dos municípios brasileiros que exportam para os Estados Unidos perdeu, em média, 30% das vendas depois do tarifaço imposto por Donald Trump, aponta levantamento do MDIC e da Amcham Brasil. Piracicaba (SP) é a cidade mais afetada pela medida.
Segundo o levantamento, os Estados Unidos cobram duas sobretaxas sobre produtos brasileiros desde agosto, que somadas chegam a 37,5%. Café, carnes, ferro fundido, suco de laranja e frutas ficam de fora da tarifa adicional e continuam na cobrança padrão.
A tarifa dupla recai sobre 16,5% das exportações do Brasil aos americanos, e os outros 52,7% escapam das duas cobranças. No primeiro semestre de 2026, as vendas ao mercado americano caíram 13% ante o mesmo período de 2025, para US$ 17,4 bilhões.
Veja as seis cidades com maior valor exportado aos Estados Unidos em 2026.
O ranking cruza o valor exportado por cada município com o peso que os Estados Unidos têm nas vendas externas dele. Piracicaba concentra fábricas de máquinas agrícolas e automotivas, além de produtos químicos e etanol.
A cidade soma perdas estimadas em US$ 1,19 bilhão. O Sindicato das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico de Piracicaba (Simespi) estima que a tarifa atinja 50 empresas e 10 mil empregos diretos na região.
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O ranking chega a 20 cidades mais afetadas pelo tarifaço.
No Espírito Santo, a sobretaxa de 25% recai sobre mármore e granito exportados por Serra e Cachoeiro do Itapemirim. A Associação Brasileira de Rochas Naturais (Centrorochas) reúne 262 empresas do setor, a maioria no estado.
Mármore e granito representam 30% de tudo que exportamos para os Estados Unidos em rochas naturais. Ninguém quer perder 30%.
disse Tales Machado, presidente da Centrorochas.
Como o governo tenta conter o impacto
O governo amplia o Plano Brasil Soberano para empresas afetadas pelo tarifaço. O programa oferece linhas de crédito do BNDES. Também permite suspender dívidas, e já recebeu R$ 12 bilhões em pedidos, dos quais só 18% foram aprovados.
O Brasil rejeitou, em setembro, uma oferta dos Estados Unidos para suspender parte do tarifaço de 50% em troca de 21 exigências, consideradas inaceitáveis por integrantes do governo.
O ritmo de aprovações do Brasil Soberano ainda é lento diante da demanda das empresas atingidas pelo tarifaço.
O que acontece agora
A próxima etapa da negociação depende dos Estados Unidos. O MDIC espera receber uma proposta americana entre três e quatro semanas após o segundo turno das eleições presidenciais, em 25 de outubro. A partir do documento, os dois países avaliam criar um grupo de trabalho.
O governo brasileiro afirma que não vai deixar a eleição pautar as negociações com os Estados Unidos.





























