A Sociedade Brasileira de Cardiologia projeta que as mortes por doenças cardiovasculares no país subam 10,8% até 2030, de 417.550 em 2024 para 462.573. O aumento aparece num momento em que um novo estudo mostra quanto o Brasil perde por investir pouco em prevenção.

A projeção integra o novo Hub de Doenças Cardiovasculares, criado pela SBC com a World Heart Federation. Os dados vêm do Cardiômetro, que já mostra uma morte a cada 72 segundos no Brasil, do Ministério da Saúde e de estimativas do DataSUS/IBGE.

"A previsão não determina exatamente qual será o patamar em 2030", pondera o coordenador do hub, Antonio Luiz Pinho Ribeiro.

A SBC recomenda controlar hipertensão e diabetes, reduzir tabagismo e sedentarismo, e agir rápido em caso de infarto ou AVC. Enquanto isso, um ensaio com edição genética já reduziu o colesterol em 52% sem efeito grave.

Quanto a prevenção pode valer

Um estudo do McKinsey Health Institute calcula que o Brasil pode evitar 739 mil mortes prematuras até 2050 com investimentos direcionados em prevenção. Com isso, a expectativa de vida subiria 5 anos, para 85 anos, com 9 anos a mais de boa saúde.

O PIB ganharia mais de R$ 1 trilhão até 2050, com retorno de R$ 2,10 para cada R$ 1 investido. A América Latina, porém, investe em média 3,7% do PIB em saúde, contra 7,9% nos países ricos.

Desse investimento, menos de 5% vai para prevenção, embora ela responda por 61% das medidas capazes de reduzir mortes, segundo o levantamento. Para o paciente, o ponto de partida também é individual, com exames essenciais que mudam a cada fase da vida.

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"Investimentos em saúde não são gastos, eles também são bons para o crescimento do país, para a melhora da competitividade econômica", disse Brad Herbig, diretor de dados de Saúde do McKinsey Health Institute.

O que falta para o Brasil investir mais em prevenção

O caminho que o estudo aponta já está documentado: taxar cigarro, álcool e ultraprocessados, ampliar vacinação e exames preventivos.

O que ainda falta é a fatia do orçamento. Hoje, menos de 5% do pouco que a América Latina investe em saúde vai para prevenção, que o próprio levantamento aponta como a medida que mais reduz mortes.