Flávio Bolsonaro (PL) venceu em 18 dos 20 municípios mais afetados pelo tarifaço dos Estados Unidos no 1º turno das eleições, segundo levantamento do Valor com dados do TSE. Lula (PT) só ganhou em Camaçari (BA) e na capital paulista.

O levantamento cruzou dados do TSE com os dez produtos mais afetados pelas tarifas de 12,5% e 25% dos EUA, a partir de dados da Amcham (Câmara Americana de Comércio) e do Mdic (Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços).

O tarifaço, que ajudou a dar tração ao discurso de soberania de Lula, não se traduziu em voto nas cidades onde ele mais doeu.

Piracicaba concentra US$ 1,12 bilhão em exportações afetadas, com máquinas, equipamentos agrícolas e automotivos, etanol, papel e produtos químicos. Na cidade, Flávio teve 63,4% dos votos e Lula, 27,6%, resultado acima dos 61,1% que Jair Bolsonaro obteve no mesmo município em 2022.

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O padrão se repete na região: Flávio venceu nos 18 municípios do entorno de Piracicaba, ampliando a distância sobre o PT em relação a 2022 em todos eles. Entre as 100 cidades mais afetadas pelo tarifaço no país, ele liderou em 92.

Por que o tarifaço não puniu Flávio nas urnas?

Para empresários do setor exportador, o motivo é a falta de alternativa imediata ao mercado americano, mais do que apoio político ao tarifaço em si. Outros acordos comerciais ajudam, mas não substituem o volume perdido, segundo representantes do setor.

Em Santa Catarina, o impacto é ainda maior, segundo Evaldo Niehues Júnior, diretor de relações internacionais da Federação das Associações Empresariais do estado (Facisc) e empresário do setor madeireiro.

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É mais que o dobro da média nacional. Os setores mais pressionados estão na cadeia agroindustrial e madeireira: madeira e móveis, gelatina, recipientes de papel, suco de maçã e pescados.

Ele se refere aos cerca de dois terços das exportações catarinenses hoje expostos às sobretaxas dos EUA, mais que o dobro da média nacional. A diversificação de mercado ajuda, mas não resolve sozinha, segundo ele.

O que acontece agora

O 2º turno acontece em 25 de outubro, entre Lula e Flávio Bolsonaro. O tarifaço já havia derrubado as exportações brasileiras aos EUA em 9,7% em setembro.

O resultado nas cidades afetadas deve seguir como argumento de campanha dos dois lados até a votação. As primeiras pesquisas do 2º turno vão medir se o padrão se mantém fora dessas cidades.