A Character.AI, empresa de chatbots de inteligência artificial avaliada em cerca de US$ 1 bilhão em 2023, pediu recuperação judicial nos Estados Unidos em 12 de outubro. A Disney ofereceu US$ 20 milhões por parte dos ativos da empresa, incluindo propriedade intelectual.

A petição, protocolada na Corte de Falências de Delaware, cita altos custos somados a passivos de litígios e ao envolvimento regulatório como causas da falta de caixa para manter o negócio na forma atual.

A Disney entrou como "stalking-horse bidder", a proposta inicial que serve de referência num leilão. O acordo dá à Disney uma licença não exclusiva e perpétua de parte da propriedade intelectual, com o leilão previsto para novembro ou dezembro.

A oferta chega num momento de contenção de gastos na Disney, que classificou demissões recentes como "extremamente dolorosas".

Quarenta procuradores-gerais estaduais dos EUA pediram, no processo, proteção para os dados de usuários que podem ser vendidos durante a recuperação judicial. A plataforma segue operando enquanto o caso corre.

Da fundação ao bilhão de dólares

A Character.AI nasceu em novembro de 2021, criada por Noam Shazeer e Daniel de Freitas, dois ex-engenheiros do Google. Uma rodada de US$ 150 milhões em março de 2023 elevou a avaliação da empresa a US$ 1 bilhão.

Em janeiro de 2024, o aplicativo tinha 3,5 milhões de visitantes diários, a maioria entre 16 e 30 anos. Em cinco anos, a empresa foi do auge da avaliação bilionária aos ativos leiloados por uma fração do valor.

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A empresa também responde a processos de famílias por danos ligados ao uso dos chatbots por adolescentes, e a uma ação do procurador-geral do Kentucky. Em maio, o Conselho de Medicina da Pensilvânia processou a empresa por chatbots que se apresentavam como médicos licenciados.

A Character.AI também está na mira do governo brasileiro: em setembro, o Ministério da Justiça pediu à ANPD que investigasse 13 apps de IA, entre eles o Character.AI, por risco a crianças e adolescentes.

A discussão também avança no Congresso brasileiro, que acelerou a regulamentação da inteligência artificial neste ano.

O que a falência da Character.AI expõe

O caso reúne as duas faces do boom de companheiros de IA: o crescimento que levou a empresa a uma avaliação bilionária em menos de dois anos, e o custo de operar sem controles maduros para os riscos que já preocupam reguladores.

A pergunta que fica é se esse modelo de negócio consegue amadurecer a segurança na mesma velocidade em que cresce, ou se vai continuar chegando aos tribunais antes de chegar lá.