O avanço das montadoras chinesas obriga as fabricantes tradicionais a gastar muito mais para acompanhar o ritmo do setor, diz o novo presidente da Nissan do Brasil, Ricardo Gondo. Segundo ele, elas não partem do zero e precisam adaptar fábricas já existentes.
A indústria estava acostumada a ciclos de seis ou sete anos para lançar um carro novo, com atualizações a cada três anos. Agora, as montadoras tentam reduzir esse prazo para menos de 24 meses, segundo Gondo.
A própria Nissan cresce no Brasil. A produção em Resende (RJ) subiu 29,5% entre janeiro e setembro, para 65.640 unidades, o triplo da média do setor automotivo no período. As exportações da marca avançaram 145% no mesmo intervalo.
A indústria tradicional tem que gastar muito mais, porque você não está entrando do zero em um novo negócio. Você tem que manter seu negócio funcionando, suas fábricas, e fazer a transição.
afirmou Gondo.
Veja como as chinesas avançaram no mercado brasileiro em poucos anos.
BYD e GWM somadas já emplacam volume próximo ao da GM no Brasil. Seis marcas chinesas aparecem hoje entre as 20 com maior participação no país, incluindo Caoa Chery, Geely, Omoda e Jaecoo. O chamado 'efeito China' deve trazer sete marcas até 2028.
A GWM, outra chinesa em ascensão, inaugurou a primeira fábrica da marca nas Américas em Iracemápolis (SP) e já soma 130 concessionárias no país. A companhia encerrou 2025 com 42.785 veículos vendidos no Brasil.
Publicidade
Os SUVs Kicks e Kait, carros-chefe da marca, tiveram alta de 22% nas vendas. A Nissan atua no segmento B-SUV, que representa 35% do mercado brasileiro, com 56.577 emplacamentos até setembro.
Gondo aponta ainda um efeito colateral na cadeia produtiva local. "Nós estamos deixando de comprar aço, borracha, pneu aqui no Brasil de fabricantes locais que investiram, fornecedores que empregam. Estamos trazendo de fora", afirmou o executivo.
A própria Nissan recorre à tecnologia chinesa para acompanhar o ritmo. A operação brasileira vai importar modelos desenvolvidos com a chinesa Dongfeng, o N7, sedã 100% elétrico, e a Frontier Pro PHEV, picape híbrida plug-in.
O que acontece agora
A Nissan confirma o híbrido X-Trail e-Power para o primeiro trimestre de 2027 e prepara outros lançamentos no país. A produção em Resende deve fechar 2026 com 90 mil veículos.
A fabricante encerrou a produção da picape Frontier no Brasil após queda de 45% nas vendas, parte do ajuste de portfólio para sustentar o ritmo da transição.
A Nissan também sinalizou disposição para aplicar o fim da escala 6x1 recém-promulgado no Congresso, embora a flexibilidade da produção deva evitar novas contratações.





























