O ator Marco Nanini interrompeu a peça "Fim de Partida" neste domingo (18), em Porto Alegre, para reclamar da sombra da intérprete de Libras no palco. A profissional foi retirada da sessão, e parte do público surdo e ouvinte deixou o teatro em protesto.
Segundo relatos de espectadores, Nanini alegou que um refletor e a sombra da intérprete estavam interferindo em sua atuação. Com a cortina fechada, a profissional foi informada de que a produção pedira sua saída. O público reagiu com vaias e gritos pedindo "respeito".
O que diz quem estava na plateia?
Lucas Bourscheid, artista surdo de 32 anos presente na sessão, atribuiu a decisão ao próprio ator, não à equipe técnica.
"Faltou empatia, faltou respeito com a comunidade surda, e isso é inaceitável. Não foi a produção, foi o Marco Nanini que falou para retirar a interpretação", disse Bourscheid.
A produtora da peça, Pequena Central de Produções Artísticas, publicou nota reconhecendo falha própria.
"Reconhecemos que a produção falhou ao não verificar e garantir previamente as condições técnicas necessárias à realização da sessão com interpretação em Libras", diz o texto, que pede "sinceras desculpas" ao público surdo.
A Fundação Theatro São Pedro, que administra o espaço, também se manifestou: "cultura se faz com o acesso e o respeito a todos os públicos".
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Por que a sessão com Libras era rara?
A Lei Brasileira de Inclusão (Lei 13.146/2015) garante que peças de teatro ofereçam formato acessível, com recursos como Libras e audiodescrição. A norma, porém, não obriga esse recurso em todas as sessões, diferente do cinema, onde a acessibilidade é exigida em qualquer exibição.
Na prática, isso faz da sessão acessível uma exceção dentro da temporada de uma peça, não a regra.
Outras cidades já tentam reduzir essa lacuna por conta própria: Niterói oferece tradução em Libras por videochamada em órgãos públicos, e em São Paulo, durante o 1º turno, eleitores surdos já contaram com intérprete nas seções de votação.
Há hoje, em tramitação no Congresso, o Projeto de Lei 664/23, que pretende tornar obrigatória a presença de intérprete de Libras em qualquer evento artístico, cultural ou social, público ou privado.
O ponto em aberto
O episódio não tem, até a publicação desta matéria, declaração direta do próprio Nanini. A pergunta que fica: se a sessão acessível já é rara no teatro, o que acontece quando ela falha no único momento em que o público surdo poderia estar presente.





























