O coletivo Derrubando Muros enviou representação ao Ministério Público Federal (MPF) pedindo investigação sobre a transferência do direito de ocupação de um imóvel de luxo da União ao senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL), antes ocupado pela família do jogador Richarlison.
"Não é uma mera disputa entre entes privados. Trata-se de patrimônio da União. É de todos os brasileiros", afirma José Cesar Martins, coordenador do Derrubando Muros. Assinam o documento o jurista Miguel Reale Jr. e Conrado Hübner Mendes, colunista da Folha.
Richarlison havia comprado o direito de ocupação do imóvel, com investimento de cerca de R$ 10 milhões dele e de parceiros. Em rede social neste sábado (17), o jogador reclamou da forma como perdeu a disputa.
Como eu não quis vender, os caras pegaram na mão grande lá na Justiça
escreveu o atleta. Segundo a denúncia do Derrubando Muros, há indícios de "advocacia administrativa": uso de algo público para benefício particular.
O que diz Flávio Bolsonaro
O senador nega qualquer relação com a disputa e diz que sua relação com o advogado Willer Tomaz, apontado como seu aliado no caso, é "apenas de amizade".
Segundo Richarlison, foi Tomaz quem o procurou para negociar o imóvel, e depois os dois foram direto à Secretaria do Patrimônio da União (SPU) pedir a regularização em nome de Flávio.
O senador declarou patrimônio ao TSE antes do primeiro turno, no mesmo levantamento que comparou os bens de todos os presidenciáveis.
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Como a disputa chegou até aqui
A disputa pelo casarão, perto do aeroporto da região costeira do Rio, se estende desde 2020. O processo de Richarlison ficou mais de três anos parado na SPU; o de Willer Tomaz saiu em dois meses, segundo notícia-crime do deputado Rogério Correia (PT-MG).
Essa não é a primeira vez que o caso chega a uma autoridade: em outubro, o próprio Richarlison pediu à PF que investigasse a disputa.
O que acontece agora
A representação do Derrubando Muros segue agora para análise do MPF, que decide se abre inquérito. A Polícia Federal ainda não informou decisão sobre a notícia-crime de agosto nem sobre o pedido do próprio Richarlison.































