O presidente Lula (PT) voltou a defender nesta quinta-feira (8) o fim das apostas esportivas de quota fixa no Brasil, banidas por medida provisória desde 25 de setembro de 2026. Segundo ele, as bets "viraram uma desgraça para o povo pobre".
"E nós temos que dizer alto e bom som que as bets virou nesse país uma desgraça para o povo pobre", declarou Lula, em conversa com jornalistas em Brasília.
"E enquanto eu for presidente, nós não vamos permitir que o leite, o pão, o feijão, sabe, da família seja utilizado para enriquecer e para lavagem de dinheiro nesse país", completou.
Lula também criticou os clubes de futebol, que perderam patrocínios milionários com a proibição. "Os times também não têm o direito de estorquir os torcedores, que já gastam o dinheiro para ir no estádio, gastam o dinheiro para comprar uma camisa do time", afirmou.
Para justificar a medida, o presidente já havia comparado as apostas a uma doença grave. "Isso é como um câncer. Ou a gente tira o tumor, ou esse tumor vai matar a gente", disse, em declaração anterior.
O custo social que justifica a proibição
O governo estima rombo de R$ 62,5 bilhões nos orçamentos familiares em 2025 por causa das apostas, além de R$ 38,8 bilhões em custo social anual e R$ 30,6 bilhões a mais de gastos no SUS.
Quase 1 em cada 3 beneficiários do Bolsa Família (cerca de 16 milhões de pessoas) já arriscou parte do benefício em apostas esportivas, segundo levantamento citado pelo governo.
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Desses, 26% afirmam ter contraído dívidas por causa dos gastos em bets. A estimativa é que as dívidas dessas famílias cheguem a R$ 300 bilhões, mesmo valor que motivou o governo a lançar o programa Desenrola 3.0.
O outro lado: clubes, Justiça e efeito colateral
Para o governo, o dinheiro das bets saía do bolso de quem menos pode perder; para os clubes, era parte do orçamento que já estava comprometido.
Das 20 equipes da Série A, 14 tinham patrocínio de casas de apostas até a proibição. Só Bahia, Mirassol, Athletico-PR, RB Bragantino, Internacional e Coritiba não dependiam desse dinheiro.
O Flamengo entrou em campo em protesto contra a proibição. O clube recebia R$ 268,5 milhões por temporada da Betano e projeta perda de até R$ 400 milhões no próximo ano, sem fonte de receita para repor.
Cinco clubes pediram ao STF um ano de transição para se adaptar à nova regra, alegando que a receita já estava comprometida com salários, categorias de base e futebol feminino.
Associações do setor de apostas entraram no STF com duas ações (ADI 8024 e ADI 8027) pedindo a suspensão total da medida provisória. A AGU defende a validade da MP e sugeriu uma nova audiência pública sobre o tema.
Sites ilegais de apostas dispararam 141% após a proibição, segundo levantamento, um efeito colateral que juristas já apontavam como risco da medida.
Uma pesquisa recente mostrou que o apoio à proibição das bets saltou para 78% da população, alta expressiva em relação a dois anos atrás.
O ponto em aberto
O STF ainda não decidiu se mantém a proibição integral das bets ou aceita o pedido de transição dos clubes de futebol. A AGU já sugeriu uma nova audiência pública sobre o tema, sinal de que a discussão no tribunal não está encerrada.





























