O BNDES recebeu R$ 12 bilhões em pedidos de crédito do Plano Brasil Soberano numa semana, em 245 operações, desde a reabertura do protocolo em 17 de setembro. Do total pedido, só R$ 2,2 bilhões foram aprovados até agora, cerca de 18% do valor.

Nesta etapa, o programa tem orçamento de R$ 22,6 bilhões, sendo R$ 13,5 bilhões do Tesouro Nacional e R$ 9,1 bilhões de recursos próprios do banco.

O programa foi reaberto em 17 de setembro, com juros que variam de 4,3% a 17,5% ao ano.

"O Brasil Soberano cumpre o papel de apoiar as empresas nacionais para que mantenham os negócios, diversifiquem os mercados exportadores e ampliem sua capacidade produtiva", disse, em nota, o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante.

Segundo ele, o tarifaço unilateral dos Estados Unidos e a instabilidade no Oriente Médio exigiram uma resposta do Estado brasileiro para preservar produção, investimentos e exportações das empresas nacionais.

Para onde está indo o crédito aprovado?

Do total aprovado, o grupo das empresas atingidas pelo tarifaço dos EUA recebeu R$ 814 milhões. O grupo de setores industriais estratégicos, como têxtil, químico e farmacêutico, teve R$ 843 milhões aprovados, e o grupo de exportadoras para o Golfo Pérsico, R$ 512 milhões.

Dentro do grupo industrial, o setor de fertilizantes concentra a maior fatia da aprovação. São R$ 735 milhões aprovados, de um total de R$ 1,7 bilhão em pedidos protocolados só por esse setor.

É a segunda leva de números divulgados desde a reabertura do protocolo. Nos dois primeiros dias, o banco já tinha recebido R$ 8,2 bilhões em pedidos, com 138 operações.

Ou seja, nos cerca de seis dias seguintes, a demanda cresceu R$ 3,8 bilhões, menos do que os R$ 8,2 bilhões represados na largada. O número de operações passou de 138 para 245.

O ritmo de aprovação também ficou para trás. Os valores liberados foram de R$ 1,7 bilhão para R$ 2,2 bilhões no mesmo período, um aumento de apenas R$ 500 milhões.

O programa também é resposta à estratégia mais ampla do governo de diversificar mercados exportadores desde o tarifaço dos EUA, anunciado em julho.

O ponto em aberto

O BNDES não detalhou por que o ritmo de aprovação ficou abaixo do de pedidos.

A dúvida que fica é se o banco vai acelerar as liberações nas próximas semanas, ou se parte dos R$ 12 bilhões solicitados esbarra na análise de crédito e demora mais para sair do papel.