A Prefeitura de São Paulo recebeu inscrições de 24 imóveis, entre cinemas, hotéis e até uma igreja, no programa que dá incentivo para restaurar prédios do centro da cidade. A lista, divulgada no Diário Oficial desta segunda-feira (19), soma R$ 98,1 milhões em pedidos.

O programa, batizado Requalifica Centro, oferece até R$ 200 milhões em subsídio de até 25% do valor da obra. Em três edições anteriores, entre 2023 e 2025, pagou R$ 11,9 milhões.

Quem recebe o incentivo precisa manter o uso aprovado do imóvel por pelo menos dez anos. A novidade da edição é abrir o benefício a equipamentos culturais com acesso pelo térreo, sem reformar o edifício inteiro.

A gestão do prefeito Ricardo Nunes (MDB) defende o programa como forma de reativar espaços ociosos no centro. Mas a destinação de incentivos a empreendimentos de classes média e alta já gerou críticas, enquanto outros grupos defendem que o programa diversifica o público da região.

Os cinemas que podem voltar

Três cinemas históricos de rua podem reabrir no centro de São Paulo com o incentivo, no mesmo movimento que já trouxe de volta o Cine Bijou e prepara a reabertura do Cine Copan para 2027.

Uma das propostas é para o antigo Cine Dom José, o Cine Jussara, ao lado da Galeria Olido, na antiga Cinelândia paulistana. O imóvel pertence ao grupo Tokyo, dono também da concessão do Edifício Martinelli, e pede R$ 4,2 milhões em incentivo.

Projetado nos anos 1950 por Alfredo Mathias, também autor da Galeria do Rock, e por Giancarlo Palanti, que assinou o Cine Belas Artes, o prédio já foi sede da Sociedade Germânia, hoje o Clube Pinheiros.

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O uso mais recente do imóvel foi como cinema pornô, e o espaço foi esvaziado para gravações de um filme que enfrentou problemas de infiltração, segundo a Folha.

Mesmo com esse histórico, o espaço recebia atividades culturais pontuais, como uma peça de teatro e edições da Virada Cultural.

O que acontece agora

A Prefeitura ainda vai avaliar as 24 propostas inscritas. Os projetos aprovados recebem o incentivo em parcelas, conforme avançam as obras, e precisam manter o uso autorizado do imóvel por dez anos.