A Caixa Econômica Federal começa a pagar nesta segunda-feira (19) o Bolsa Família de outubro com o piso reajustado para R$ 691, ante R$ 600 antes. É o primeiro pagamento liberado a quem tem o Número de Identificação Social (NIS) com final 1.

O pagamento é escalonado pelos últimos dez dias úteis do mês. Para receber, a família precisa ter renda de até R$ 218 por pessoa, estar no Cadastro Único e cumprir contrapartidas como escola e vacinação em dia.

Por que o aumento saiu agora

O reajuste de 15,04% foi anunciado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em 17 de setembro, a 17 dias do primeiro turno. O governo nega eleitoreirismo, mas aliados admitem, em reserva, que o aumento integra um "pacote de bondades" pré-eleitoral.

Na sabatina do Jornal Nacional, Lula disse: "É inexplicável que no governo do Lula alguém pense em não reajustar a inflação no salário das pessoas, mas aconteceu." A oposição chamou a medida de eleitoreira, e o MP pediu ao TCU a suspensão do reajuste.

O ministro do STF Gilmar Mendes validou a medida como legal, usando o INPC acumulado entre março de 2023 e agosto de 2026 como base de cálculo.

Não é a primeira vez que isso acontece: o último reajuste do piso, para R$ 600, havia sido dado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) também perto de uma eleição, em 2022.

Calendário de pagamento por NIS

O valor entra na conta de acordo com o último número do NIS, impresso no cartão do programa. Veja as datas de outubro:

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Calendário de pagamento do Bolsa Família — outubro de 2026 (fonte: Caixa/G1, verificado em 19/10/2026)
Final do NISData de pagamento
119/10
220/10
321/10
422/10
523/10
626/10
727/10
828/10
929/10
030/10

O impacto do reajuste no Orçamento de 2027 será de R$ 22,7 bilhões. Em novembro, o calendário vai de 16 a 30; em dezembro, de 10 a 23, com pagamento antecipado por causa das festas de fim de ano.

O ponto em aberto

O reajuste foi validado como legal pelo STF, mas chega no mesmo ponto do calendário em que o reajuste anterior, dado por Bolsonaro, também chegou: poucos dias antes do primeiro turno.

A pergunta que fica é se o país vai repetir, a cada disputa presidencial, o mesmo gatilho de reajuste social às vésperas do voto, e se esse padrão deveria ter alguma regra própria na legislação eleitoral.