A operadora de telecomunicações Oi encerrou 2025 com prejuízo de R$ 36,4 bilhões, revertendo o lucro de R$ 9,61 bilhões obtido em 2024, segundo o balanço divulgado nesta quinta-feira (8). A receita total da operadora caiu 18% no mesmo período, para R$ 2,59 bilhões.

O resultado financeiro da empresa foi negativo em R$ 33,1 bilhões, revertendo resultado positivo de R$ 12,1 bilhões em 2024. Segundo a Oi, o número reflete a recomposição das dívidas originais após o fim da recuperação judicial.

A recuperação judicial terminou em falência, decretada pela Justiça do Rio em agosto. A B3 suspendeu as negociações das ações da Oi em 25 de agosto e concluiu a retirada dos papéis de circulação em 16 de setembro.

A PricewaterhouseCoopers (PwC), responsável pela auditoria, emitiu opinião adversa sobre o balanço. Segundo a auditoria, a Oi descumpriu práticas contábeis aplicáveis a empresas em liquidação, e os números não representam adequadamente sua posição patrimonial.

A queda de receita reflete a redução das operações legadas e a venda de ativos ao longo do ano. Entre elas, a telefonia fixa, vendida à Método com aval da Anatel em setembro.

O processo de falência já soma mais de 180 mil credores, entre trabalhadores, fornecedores e prestadores de serviço.

Projeção apresentada à Justiça indica que o caixa da empresa pode cair a R$ 10 mil até o fim de outubro, sem novas vendas de ativos. A própria Oi já havia sinalizado o risco de parar as operações, em julho, por falta de caixa.

Publicidade

"Há uma contradição na decisão da juíza Simone."

afirmou João Moura, da Federação Interestadual dos Trabalhadores em Telecomunicações (FITRATELP), depois de a Justiça do Rio suspender o acordo que previa pagamento parcelado de R$ 72 milhões em verbas rescisórias a cerca de 980 demitidos.

A lei prioriza dívidas trabalhistas na falência, mas o caixa pode acabar antes.

O que acontece agora

Um administrador judicial vai arrecadar e vender os bens da Oi para pagar as dívidas, começando pelos créditos trabalhistas. A Anatel já havia dado 30 dias, em agosto, para a empresa apresentar um plano de contingência após a falência.