A pesquisadora Daria Shipilova, de 28 anos, morreu na Sibéria após uma pneumonia grave ligada a um possível caso de peste pneumônica. A Rússia negou, nesta quinta-feira (8), um segundo caso suspeito da doença em Irkutsk, enquanto a OMS cobra mais informações do governo russo.
A negativa russa veio depois que a União Europeia, os Estados Unidos e a própria Organização Mundial da Saúde pediram esclarecimentos sobre a situação sanitária na região, onde fica o Instituto de Combate à Peste de Irkutsk.
Todos os contatos da paciente foram identificados e estão sendo monitorados para a doença e, até o momento, nenhum deles apresentou sintomas.
A frase é do porta-voz da OMS, Christian Lindmeier. O episódio reacende a desconfiança sobre a transparência russa em crises sanitárias, já registrada em casos anteriores.
A cronologia começou em 25 de setembro, quando um tubo de ensaio se rompeu no laboratório onde Shipilova trabalhava. Ela morreu em 2 de outubro, e a Rússia informou dois dias depois que a situação estava estável.
Em 6 de outubro, a Rússia respondeu à OMS que não havia casos de peste em Irkutsk e que os testes nos contatos da pesquisadora deram negativo para patógenos perigosos.
A OMS avaliou o risco como "moderado a baixo" em Irkutsk, "baixo" no restante da Rússia e "muito baixo" na Europa. O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, disse não ter acesso aos dados da autópsia e remeteu à agência sanitária russa Rospotrebnadzor.
A morte de Shipilova envolve a forma pneumônica da peste, causada pela bactéria Yersinia pestis. É a única variante da doença transmitida diretamente entre pessoas, por gotículas de tosse ou espirro.
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Os sintomas começam em até 24 horas: febre, calafrios, dor de cabeça e fraqueza, que evoluem para pneumonia grave. Sem tratamento, a doença é quase sempre fatal.
O tratamento recomendado é de 10 a 14 dias de antibióticos, como ciprofloxacina ou gentamicina. Pacientes medicados nas primeiras 24 horas têm mais chance de sobreviver.
Há risco para o Brasil?
O Brasil não tem risco de surto ligado ao caso russo. O país não registra caso humano de peste desde 2005, quando o último ocorreu no município de Pedra Branca, no Ceará, segundo o Ministério da Saúde.
A bactéria da peste, porém, segue circulando naturalmente entre roedores silvestres em dois focos do país: o foco nordestino, que abrange Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco, Alagoas e Bahia, e o foco de Teresópolis, no Rio de Janeiro.
Áreas pestígenas também existem em Minas Gerais, nos vales do Rio Doce e do Jequitinhonha, consideradas extensão do foco nordestino pelo ministério.
O que acontece agora
A OMS segue sem acesso aos dados completos da autópsia de Shipilova e cobra do governo russo uma resposta oficial sobre a causa da morte. Até lá, a classificação de risco pode mudar conforme novas informações.

































