A China acelera a construção de centros de dados no interior, região rica em energia e terras baratas, para disputar a liderança global em inteligência artificial. Só em Ulanqab, na Mongólia Interior, há 89 centros de dados construídos ou planejados, segundo o Financial Times.

Os centros de dados de Ulanqab pagam cerca de US$ 0,05 por kWh, menos da metade dos mais de US$ 0,08 cobrados em muitas cidades chinesas e dos US$ 0,11 de Pequim.

A região também tem ligação de trem de alta velocidade de duas horas até a capital.

Ao menos uma dezena de empresas já ocupam quatro campi na região, incluindo Alibaba e a Huawei, com três centros de dados. A ByteDance, maior locatária de capacidade computacional do país, também está entre os ocupantes.

Uma das empresas, a ZData, converteu uma antiga escola abandonada em centro de dados.

A estratégia chinesa tem nome oficial: dongshu xisuan, ou "dados no leste, computação no oeste". Mais da metade do pipeline de novos centros de dados do país já está no norte e noroeste, incluindo a Mongólia Interior.

A região deve superar Pequim, Xangai e outras áreas urbanas como maior fonte de capacidade computacional da China até 2028. A corrida ocorre em paralelo a conversas entre China e EUA sobre os riscos da inteligência artificial.

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A aposta em energia farta não é nova. A China já havia inaugurado um data center submerso movido a energia eólica, além de uma unidade alimentada inteiramente por fonte eólica na região de Ningxia.

O avanço reforça avaliações recentes sobre o setor. O CEO da Nvidia já disse que a Huawei se destaca como líder global em inteligência artificial, mesmo sob restrições dos EUA à exportação de chips.

O que acontece agora

O pipeline de novos centros de dados chineses segue concentrado no norte e noroeste do país. Analistas já alertam que regiões como a Europa correm risco de ficar atrás na disputa global pela infraestrutura de IA.