A deputada federal eleita Ana Elisa Santos Silva (PT-MG), de 21 anos, relatou à Polícia Civil ameaças de morte e de violência sexual recebidas por e-mail durante a campanha eleitoral, incluindo exposição de dados pessoais. O partido contratou escolta armada para protegê-la.
Segundo Ana Elisa, as mensagens incluíam ataques machistas, racistas e ameaça de estupro. Uma delas chegou por e-mail em 5 de setembro, enviada por alguém que se apresentou como integrante do grupo supremacista Ku Klux Klan.
"Chegando em Minas Gerais, já terei escolta", disse a deputada eleita.
Ana Elisa recebeu 524.219 votos, a 2ª maior votação para deputado federal em Minas Gerais, atrás apenas de Nikolas Ferreira (PL). Tornou-se a mulher mais votada da história do estado para a Câmara e a deputada federal mais jovem já eleita no Brasil.
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Nascida em Divinópolis, no centro-oeste mineiro, é estudante de Direito e foi estagiária no TRT-MG (Tribunal Regional do Trabalho).
Ganhou projeção nas redes sociais com vídeos sobre política, racismo e direitos sociais, e hoje integra o núcleo que coordena a comunicação digital da campanha de Lula no 2º turno.
O que mostram os números da violência política
Casos como o de Ana Elisa deixaram de ser exceção para virar um padrão que o próprio TSE já mede e nomeia: o tribunal criou um painel para monitorar a violência política de gênero depois de perceber o crescimento dos casos.
Os processos por violência política de gênero saltaram de 15 em 2022 para 177 em 2026, alta de 11 vezes em quatro anos. O Brasil ocupa a 135ª posição entre 184 países em representação feminina, com 17,5% das cadeiras do Congresso ocupadas por mulheres.
Só 16% das prefeituras brasileiras são comandadas por mulheres. Em setembro, um levantamento já apontava alta de 380% nos casos em São Paulo, Paraná e Minas Gerais, estados que lideram os registros.
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Organizações da sociedade civil entregaram ao TSE, no fim de setembro, um documento com relatos de agressão física, verbal e ameaças de morte e estupro contra candidatas em Pernambuco, Espírito Santo, Minas Gerais e Rio de Janeiro.
O que acontece agora
A denúncia de Ana Elisa segue em apuração pela Polícia Civil. O TSE e o Ministério Público Federal lançaram a campanha "Política é Substantivo Feminino" para reforçar o enfrentamento à violência política de gênero.
Até lá, a deputada eleita segue sob escolta armada contratada pelo partido, medida que deve se manter enquanto durar o risco identificado pela investigação.





























