O Grupo SHC, representante da JAC Motors no Brasil, pediu recuperação judicial nesta terça-feira (6), com dívida de R$ 239,5 milhões entre 44 empresas. É a segunda vez que o grupo de Sergio Habib recorre à Justiça, após recuperação de R$ 517,7 milhões em 2018.
Do total, cerca de 97% correspondem a dívidas com bancos e fundos de crédito. Outros R$ 130,7 milhões ficam fora do processo judicial, o que eleva o passivo total do grupo a quase R$ 370 milhões. As dívidas trabalhistas somam R$ 2,7 milhões.
Como a JAC perdeu espaço para as marcas que ajudou a trazer?
A JAC perdeu espaço porque não acompanhou a entrada de concorrentes como BYD e GWM, que ampliaram portfólio e preço competitivo no Brasil. As vendas da marca caíram 51,1% em 2025, para 988 veículos, enquanto o mercado cresceu 2,58% no mesmo período.
Entre janeiro e setembro deste ano, a JAC vendeu apenas 373 unidades no Brasil. O contraste expõe o tamanho da crise: a marca que ajudou a abrir o mercado brasileiro para a concorrência chinesa hoje luta para manter clientes.
Hoje a rede soma só três lojas: em São Paulo, Curitiba e Porto Alegre.
A entrada acelerada de rivais chinesas já aparece nos números do setor: carros chineses dobraram a fatia e já somam 21% do mercado brasileiro em outubro. A tendência pressiona ainda mais o espaço que a JAC tentava manter.
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Outras sete marcas chinesas devem chegar ao país até 2028. A disputa por espaço no mercado brasileiro deve se intensificar nos próximos anos.
Enquanto a JAC recua, a rival GWM lançou o Haval H7 como destaque dos lançamentos de outubro no Brasil. O modelo chega como SUV híbrido, segmento que a JAC não conseguiu ocupar.
A JAC chegou ao Brasil em 2011 e inaugurou 50 concessionárias em um único dia, aposta que simbolizou a entrada agressiva da marca no país. A empresa chegou a planejar uma fábrica na Bahia orçada em R$ 1 bilhão, que nunca saiu do papel.
Depois, a marca apostou na importação de elétricos, também sem sucesso.
É a segunda recuperação judicial em oito anos para o Grupo SHC. A primeira, aberta em novembro de 2018, somava R$ 517,7 milhões em dívidas, e levou a Justiça a suspender as ações contra o grupo por 180 dias.
O prazo para apresentar um plano aos credores era de 60 dias.
Até março de 2021, o grupo havia quitado apenas R$ 957 mil dos débitos incluídos naquela primeira recuperação, segundo o Autodata, sinal do ritmo lento de pagamento que marcou o processo.
A estratégia atual da JAC passa pelas picapes e pelas vendas digitais, com a Hunter a diesel como aposta principal. A marca já retirou de linha os modelos elétricos E-JS4 e E-J7, e o futuro do pequeno E-JS1 segue incerto.





























