O tarifaço de até 37,5% imposto pelos Estados Unidos já derruba as vendas de empresas brasileiras ao mercado americano. A fabricante Engemasa viu a fatia dos EUA em seu faturamento cair de 40%, em 2025, para zero neste ano, segundo reportagem do portal Piranot.

A Utilinox registrou queda de 60% nas vendas de alguns produtos ao mesmo mercado. "O mercado americano representava 40% do faturamento em 2025 e este ano representa zero", diz João Baroni, diretor-geral da Engemasa.

O diretor da Utilinox, José Neto, confirma a mesma pressão sobre a linha de produtos industriais da empresa.

A tarifa resulta da soma de duas sobretaxas aplicadas em 2026: 25% sobre produtos específicos, desde julho, e 50% sobre aço e alumínio, em vigor desde o início do ano. Juntas, elas atingem 23,1% das exportações brasileiras aos EUA.

O efeito já aparece nos números do comércio exterior. A participação americana nas exportações brasileiras caiu de 12,1% para 9,4% no primeiro semestre de 2026, e os embarques aos EUA recuaram 13% no mesmo período, para US$ 17,4 bilhões.

Como o governo está respondendo?

O governo federal lançou o Plano Brasil Soberano, pacote de R$ 22,6 bilhões para socorrer empresas atingidas pelo tarifaço, com R$ 13,5 bilhões do Tesouro Nacional e R$ 9,1 bilhões do BNDES, que abriu linha de crédito específica.

A procura superou as expectativas do próprio governo, mas apenas 18% dos R$ 12 bilhões em pedidos recebidos foi aprovado até agora.

A ApexBrasil também entrou com R$ 210 milhões para 35 setores em busca de novos compradores.

Segundo a agência, 72% das 2,4 mil empresas exportadoras que ela assiste já diversificaram para outros mercados — Canadá, México, Alemanha, Turquia e países da Ásia aparecem como destinos alternativos.

Achar comprador novo não resolve da noite para o dia: cada mercado exige certificação própria e relação comercial construída do zero.

Nem todo produto brasileiro sentiu o mesmo golpe. Café e carnes ficaram isentos da tarifa desde julho, junto com aeronaves, suco de laranja e a maior parte da celulose. O peso recaiu sobre máquinas, equipamentos, calçados, móveis e confecções.

O que acontece agora

Brasil e EUA criaram, em 30 de setembro, um grupo de trabalho para negociar isenções do tarifaço, depois de o Brasil levar o caso à Organização Mundial do Comércio em consulta formal.

Os EUA ainda não enviaram a proposta que vai definir o escopo da negociação. Até ela chegar, empresas como a Engemasa seguem correndo atrás de comprador novo para a produção que sobrou.