O presidente Lula (PT) voltou a cobrar publicamente o senador Flávio Bolsonaro (PL) sobre a votação da PEC que acaba com a escala 6x1, em vídeo nas redes sociais nesta quinta-feira (8). "Bota a sua bancada para votar, cara! Pare de inventar lorota!", disse.
A cobrança marca a reta final de uma disputa que já passa de política para número: quanto a mudança custa, e para quem.
O que a PEC muda, afinal
A PEC 221/2019 reduz a jornada máxima semanal de 44 para 40 horas e garante dois dias de descanso, sem redução de salário.
Aprovada na Câmara com 472 votos a favor (95% dos presentes), o texto tramita no Senado, onde passou nesta quinta pela terceira das cinco sessões de discussão exigidas antes da votação em 1º turno.
Flávio é contra o texto como está. Ele defende um regime de trabalho por hora, em que o empregado "negocia" a jornada diretamente com o patrão, e diz que a mudança "não vai adiantar" se vier com desemprego ou endividamento.
Lula também acusa a campanha de Flávio de articular a abstenção de senadores aliados na votação, repetindo um padrão: Flávio já evitou estar presente em dia de votação da PEC antes. "Ele está com vergonha de falar isso, mas fiquei sabendo", disse o presidente.
Os números que dividem a conta
Não há consenso técnico sobre o efeito da medida. Um estudo citado na cobertura sobre as mudanças da PEC projeta queda de até 2% na produção do setor formal e perda de mais de 600 mil empregos.
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Outro, em sentido oposto, prevê ganho de produtividade e a criação de 4,5 milhões de vagas com a mesma mudança de jornada.
Do lado do custo empresarial, a Confederação Nacional do Comércio calcula impacto de cerca de R$ 235 bilhões no setor de serviços, com elevação de 21% na folha salarial do comércio. A Abrasel estima 20% a mais nos custos de restaurantes.
Técnicos do Ipea calculam alta de 7,84% no custo do trabalhador celetista, com efeito desigual por setor. É nesse intervalo, entre o estudo que assusta e o que anima, que a disputa política se encaixa: cada lado escolhe o número que confirma sua posição.
O ponto em aberto
A PEC só muda a vida de quem trabalha sob a escala 6x1 se for aprovada nos dois turnos do Senado antes de virar lei, e o texto segue sem data certa de votação final.
Os números em disputa vêm de metodologias diferentes, e nenhuma das duas bancadas tem interesse em testar qual delas acerta antes do 2º turno das eleições, em 25 de outubro.





























