A China importou 11,88 milhões de toneladas de soja em setembro, queda de 7,7% ante o mesmo mês de 2025, segundo a alfândega do país. O recuo marca a transição entre a safra brasileira e a colheita nos Estados Unidos.
O volume também veio 2,1% abaixo dos 12,14 milhões de toneladas compradas em agosto. De janeiro a setembro, a China somou 86,08 milhões de toneladas importadas, segundo a mesma fonte aduaneira.
Segundo Rosa Wang, analista da consultoria Shanghai JC Intelligence, a queda reflete uma base de comparação elevada: em setembro de 2025, a China acelerou as compras de soja sul-americana em meio à tensão comercial com os Estados Unidos.
Este ano, as vendas de soja do Brasil da safra anterior avançaram rapidamente, com menos remessas disponíveis em setembro. A nova safra de soja dos Estados Unidos acaba de iniciar a colheita, e o volume disponível para embarque ainda não aumentou.
Disse Wang, em nota divulgada pela consultoria. A disputa pelo mercado chinês ocorre num momento em que a tarifa imposta pelos Estados Unidos empurra o Mercosul para negociações com a China, abrindo espaço extra para os exportadores sul-americanos.
A China já ultrapassou a metade do caminho para cumprir o compromisso de comprar 25 milhões de toneladas de soja dos Estados Unidos neste ano-safra, acordo que a Casa Branca diz ter fechado em outubro de 2025.
Apesar do acordo, as compras americanas devem perder fôlego nos próximos meses. Cai Hongli, da Cofco Oils, projeta chegadas de cerca de 9,5 milhões de toneladas por mês no quarto trimestre, puxadas para baixo pela fraca demanda por ração animal.
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As cargas dos EUA também ficaram de fora da proposta de redução de tarifas fechada após a cúpula de Washington, em setembro. Isso deixa pouco espaço extra para uma recuperação rápida das vendas americanas nos próximos meses.
No Brasil, o movimento reforça a disputa que já rendia resultado nesta semana: os Estados Unidos venderam 470 mil toneladas à China, mas o país sul-americano segue à frente na corrida pelo mercado chinês ao longo do ano-safra.
Em setembro, um levantamento já mostrava que a soja brasileira ganhava espaço na China enquanto as compras americanas recuavam 12%. O Brasil domina o período de colheita, entre fevereiro e setembro, e os EUA só ganham força a partir de outubro.
O preço da soja já opera no maior patamar desde 2023, e a demanda chinesa é um dos fatores que sustentam a cotação no mercado interno brasileiro.
O que acontece agora
Os embarques devem passar o protagonismo aos Estados Unidos ao longo de outubro, à medida que a colheita americana avança. O mercado vai observar se a China mantém o ritmo do acordo bilateral com Washington ou intensifica de novo a demanda por soja sul-americana.





























