A campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL) apresentou nesta terça-feira (13) um novo levantamento que aponta 499 conteúdos apagados do canal de WhatsApp "Exército do Lula". O número substitui a contagem anterior, de 219 posts, divulgada pela própria campanha dias antes.
O canal é administrado pelo deputado André Janones (Rede-MG) e reúne mais de 4 milhões de seguidores. Ele apoia a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no 2º turno contra Flávio, marcado para 25 de outubro.
Segundo a campanha do senador, a exclusão em massa explicaria por que a área técnica do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) não identificou as possíveis fake news que motivaram o pedido de suspensão do canal.
Mensagens reproduzidas no levantamento mostram como Janones operava o canal. Ele publicava uma notícia, orientava os seguidores a compartilhá-la em outras redes e, em seguida, apagava a mensagem original. Em um dos registros, de 11 de outubro, o deputado escreveu aos seguidores:
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Sempre que vocês cumprirem uma missão curta, como essa, eu vou deletar para não poluir aqui, ok? Essa matéria da página do Bacci já vou apagar.
A Assessoria Especial de Enfrentamento à Desinformação do TSE informou na 2ª feira (12) não ter encontrado fake news nas publicações examinadas no canal entre 2 e 11 de outubro. O relatório da área técnica não aponta quem apagou as mensagens.
Segundo o mesmo relatório, mensagens de 25 a 29 de setembro foram apagadas a partir de 7 de outubro. Outras 81 mensagens desapareceram antes que a equipe técnica conseguisse ler o conteúdo.
O que diz a defesa de Janones
Janones nega qualquer irregularidade. Ele afirma que não precisaria se defender das acusações.
Segundo o deputado, mais de 3,35 milhões de integrantes do canal poderiam testemunhar sobre o conteúdo compartilhado na plataforma.
Em transmissão ao vivo no Instagram no último sábado (10), o deputado disse que o canal ainda estava na fase de inclusão de perfis e de explicações sobre seu funcionamento. Segundo ele, nenhuma notícia tinha sido divulgada até aquele momento.
Janones chamou de censura a decisão do presidente do TSE que suspendeu o canal antes de a medida ser revertida. A suspensão havia sido determinada pelo ministro Kássio Nunes Marques e depois derrubada pelo corregedor-geral da Justiça Eleitoral, Ricardo Villas Bôas Cueva.
O episódio integra uma sequência de decisões de Nunes Marques que dividem o TSE a duas semanas do 2º turno.
Entre os conteúdos que a campanha de Flávio alega terem sido apagados estão imputações de crimes ao ministro do TSE André Mendonça. Também constam afirmações de que o senador, se eleito, reduziria aposentadorias e extinguiria benefícios sociais como o Benefício de Prestação Continuada (BPC).
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Em 7 de outubro, a defesa de Flávio já havia apresentado ao corregedor-geral uma ação de investigação judicial eleitoral contra o canal, que resultou na suspensão revertida dias depois.
O que acontece agora
O plenário do TSE deve analisar o caso a partir desta terça-feira (13), depois de o corregedor-geral reverter a suspensão imposta pelo presidente da corte. A decisão final vai definir se o canal de Janones continua no ar sem restrições até o 2º turno.
O episódio é o mais recente de uma disputa que já rendeu crescimento acelerado do canal após o embate no TSE.

































