A Força Aérea Brasileira interrompeu o voo do foguete sul-coreano Sebit cerca de 35 segundos após a decolagem no Centro de Lançamento de Alcântara (CLA), no Maranhão, na quarta-feira (19). O veículo suborbital, da empresa Innospace, saiu da trajetória planejada e caiu no Oceano Atlântico, dentro da zona de segurança marítima. Não houve feridos.
O Sebit é um foguete de estágio único com motor híbrido de classe 3 toneladas, projetado para alcançar entre 50 e 100 km de altitude em voo suborbital.
Antes do lançamento, a Innospace já havia feito uma queima estática do motor por 83 segundos na Coreia do Sul, em 3 de agosto. Um ensaio geral em solo, em Alcântara, aconteceu no dia 14.
Segundo nota do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), "um desvio em relação à trajetória planejada foi identificado e a operação foi interrompida pela Força Aérea Brasileira (FAB), conforme protocolo de segurança".
O Sistema de Terminação de Voo (FTS) é o mecanismo que corta a missão quando o veículo sai dos limites de trajetória estabelecidos. Ele age quando o desvio pode representar risco a pessoas, embarcações, aeronaves ou áreas terrestres.
A mesma nota do MCTI informa que, apesar da interrupção, o voo gerou dados sobre os sistemas de propulsão, guiagem, navegação, controle e rastreamento do veículo. A causa do desvio ainda não foi divulgada. Os dados de telemetria seguem em análise.
A segunda falha da mesma empresa na base
Não é a primeira vez que um foguete da Innospace não completa o voo em Alcântara. Em dezembro de 2025, a empresa já havia feito o primeiro lançamento comercial da história da base, o foguete orbital HANBIT-Nano, que também não chegou ao fim da missão.
Uma investigação conjunta da Innospace com o Cenipa (Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos) apontou a causa daquela falha em março deste ano. Houve vazamento de gases de combustão aos 33 segundos de voo.
O vazamento foi gerado por vedação inadequada em componentes remontados sob compressão excessiva durante a montagem do foguete.
O lançamento do Sebit foi o primeiro contrato comercial intermediado pela ALADA, a estatal criada para explorar comercialmente os centros de lançamento de Alcântara e de Barreira do Inferno, no Rio Grande do Norte.
Alcântara na disputa por lançamentos internacionais
A aposta do governo brasileiro na base é maior do que os dois voos da Innospace. Sergio Roberto de Almeida, diretor-presidente da ALADA desde maio deste ano, deu entrevista à CNN Brasil sobre o interesse internacional na base.
Segundo o executivo, mais de 20 países da América do Norte, Europa, Ásia e Oceania negociam contratos para lançar foguetes a partir do território brasileiro.
A operação do Sebit contou com apoio técnico da FAB, da Agência Espacial Brasileira (AEB) e do MCTI. Os três órgãos respondem pela segurança e pela autorização de lançamentos comerciais na base maranhense.
O que essas duas falhas testam
Alcântara tem dois lançamentos comerciais completados até agora, e nenhum terminou como planejado. A base segue tentando se firmar como opção internacional em meio a mais de 20 negociações em andamento.
Fica a pergunta se um histórico de duas interrupções seguidas pesa nessas conversas, ou se compradores tratam isso como parte normal do amadurecimento de um novo polo de lançamento.


























