O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse, neste sábado (5), em São José do Rio Preto (SP), que o Brasil não quer depender da China nem dos Estados Unidos no desenvolvimento de inteligência artificial. Ele defendeu tecnologia produzida em português.

Não quero depender da China e dos EUA, queremos inteligência artificial em português

afirmou Lula durante o evento. Ele defendeu que o Brasil passe a "dominar" a tecnologia, em vez de importá-la pronta de outros países.

Lula também citou o gov.br como exemplo de digitalização pública. A plataforma tem 178 milhões de pessoas conectadas, segundo o presidente.

O tema chega em meio a uma disputa mais ampla pela adoção de IA no Brasil. 95% das grandes empresas do país já usam a tecnologia, mas 95% dos projetos-piloto ainda não deram retorno.

O Plano Brasileiro de Inteligência Artificial (PBIA) prevê R$ 23 bilhões em investimentos até 2028. Um dos objetivos do programa é desenvolver modelos avançados de linguagem em português, treinados com dados nacionais.

O Redata e os data centers

Segundo Lula, a aprovação do Redata pelo Senado abre a possibilidade de atrair R$ 500 bilhões em investimentos para data centers no Brasil. O Senado aprovou o projeto em 1º de setembro, sem mudanças em relação ao texto da Câmara.

O Redata institui um regime especial de tributação, com suspensão de tributos federais na compra de equipamentos para data centers. Em troca, as empresas terão que investir no país pelo menos 2% do valor dos produtos comprados com o benefício, em pesquisa e inovação.

Entidades da sociedade civil, sindicatos e movimentos sociais publicaram nota criticando o Redata. Para eles, o texto não foi debatido o suficiente para garantir a soberania digital do país, da segurança de dados à autonomia energética.

Lula disse ainda que quem instalar um data center no Brasil vai precisar produzir a própria energia. O texto aprovado exige que os empreendimentos supram toda a demanda de energia com contratos ou autoprodução a partir de fontes renováveis ou de baixa emissão.

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O que acontece agora

O Redata segue agora para sanção presidencial. A renúncia fiscal prevista no parecer do Senado é de R$ 5,2 bilhões em 2026, R$ 1 bilhão em 2027 e R$ 1,05 bilhão em 2028.

Já o supercomputador de inteligência artificial em Natal (RN), alvo do edital de R$ 1 bilhão lançado por Lula em agosto, deve entrar em operação até o fim de 2026.

O modelo de linguagem em português do PBIA tem previsão de começar a funcionar em julho de 2027.