A Alibaba Cloud abriu nesta quinta-feira (27) sua primeira região de nuvem na América do Sul, com dois data centers no Brasil voltados a inteligência artificial e soluções corporativas. A operação marca a estreia da gigante chinesa no continente e amplia a disputa por um mercado hoje dominado por AWS, Azure e Google Cloud.
A empresa não revelou a localização exata dos dois data centers, por questões de segurança. A estrutura vai oferecer computação, armazenamento, redes e bancos de dados na nuvem.
O foco declarado é inteligência artificial. A promessa é de baixa latência e residência de dados no país, em conformidade com a LGPD.
Duas empresas brasileiras já fecharam parceria com a Alibaba Cloud. A Insi vai desenvolver soluções de nuvem e IA para médias e grandes organizações, e a 4Linux vai trabalhar com os modelos abertos Qwen, da própria Alibaba, em projetos de inteligência artificial generativa.
O Brasil é uma das economias digitais mais dinâmicas do mundo e um novo mercado central para a expansão da Alibaba Cloud na América Latina
A frase é do gerente geral da Alibaba Cloud para a América Latina, Allen Guo. A abertura da região brasileira faz parte de um plano global de US$ 53 bilhões (cerca de R$ 290 bilhões) em infraestrutura computacional, sem valor específico divulgado para o Brasil.
Como fica a disputa por nuvem no Brasil
O mercado brasileiro de computação em nuvem é hoje dominado por empresas americanas. A AWS detém cerca de 57% do mercado, a Microsoft Azure soma 28%, e as duas somadas ao Google Cloud controlam por volta de 70% do total.
No cenário global, a Alibaba Cloud é a maior provedora não ocidental. Ainda assim, tem fatia pequena, de cerca de 4%, diante dos 68% que AWS, Azure e Google Cloud dividem entre si.
A chinesa aposta em preço para furar esse domínio. A oferta pública da Alibaba Cloud no Brasil chega a ser até 30% mais barata que a da AWS, segundo levantamento do setor.
É a primeira vez que o mercado brasileiro de nuvem enfrenta um concorrente chinês com data center próprio em operação no país. A chegada também facilita a vida de empresas que mantêm operações simultâneas no Brasil e na China.
A operação brasileira entra numa expansão que já soma 106 zonas de disponibilidade em 31 regiões do mundo, com reforços recentes no México, na França, no Japão, na Coreia do Sul e na Malásia.
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O avanço chinês em infraestrutura de nuvem acompanha a corrida global por infraestrutura de inteligência artificial, puxada pela demanda de empresas por processamento de dados e treinamento de modelos.
O que acontece agora
A Alibaba Cloud ainda não detalhou um cronograma de novos serviços no Brasil além das parcerias já fechadas com Insi e 4Linux, nem quando pretende divulgar a localização dos data centers.
Um alerta do setor feito em julho apontava que o país tinha uma janela curta para se firmar como polo regional de data centers antes que outros mercados da América Latina avançassem na disputa por esses investimentos.
A entrada da chinesa também acompanha o avanço de modelos chineses de inteligência artificial de código aberto, que a própria 4Linux vai usar nos projetos com a Alibaba no país.


























