O PL, maior bancada da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), vive disputa interna pela sucessão de André do Prado, eleito senador, na presidência da Casa. Dos 27 deputados da legenda a partir do ano que vem, seis são cotados ao cargo.

São eles: Alex Madureira, Tenente Coimbra, Thiago Auricchio e Ricardo Madalena, reeleitos, e Rodrigo Ashiuchi e Rogério Franco, no primeiro mandato.

Nos bastidores, Ashiuchi e Franco têm a preferência de Prado. Os dois são considerados herdeiros do senador eleito por terem ficado com as bases eleitorais que ele tinha como deputado estadual.

Em reunião interna nesta semana, 15 parlamentares reeleitos do PL decidiram se blindar do movimento de Prado. Fecharam posição contrária a um deputado de primeiro mandato assumir a Presidência, o que inviabilizaria a entrada de Ashiuchi e Franco na disputa.

"O André é senador, não dá para sair de uma Casa Legislativa e querer ficar apitando", disse um deputado do PL, sob condição de reserva.

Deputados ligados ao presidente nacional do partido, Valdemar Costa Neto, e a Prado defendem que a escolha do nome passe pelos dois. O presidente do PL em São Paulo, José Tadeu Candelária, também deve se envolver na articulação.

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O governador reeleito Tarcísio de Freitas (Republicanos) não deve intervir, deixando a decisão para os deputados. Parte da bancada defende que a escolha seja só dos parlamentares, para garantir "autonomia" do partido na Alesp.

Por que a disputa é mais acirrada que parece

Prado foi o primeiro presidente da Alesp reeleito dentro da mesma legislatura, com 88 dos 94 votos da Casa em 2025. A recondução só passou a ser possível depois de uma PEC aprovada em setembro de 2024, proposta por um aliado dele.

Agora os próprios reeleitos que sustentaram essa recondução tentam travar a entrada de um deputado de primeiro mandato no comando — disputa que a nova composição da bancada, com 39 das 94 cadeiras renovadas, torna mais imprevisível.

Prado chega ao fim do mandato na Alesp vindo direto das urnas: ele liderou a corrida ao Senado por São Paulo ao lado do deputado Guilherme Derrite.

A disputa em São Paulo reproduz um padrão do PL em outras Casas. Em outubro, a legenda rompeu acordo e entrou na disputa pela presidência da Câmara de São Paulo.

Outro ponto comum entre os reeleitos deve virar bandeira de campanha: o fim da possibilidade de reeleição para a Presidência da Alesp dentro da mesma legislatura, regra que, na prática, permitiu a Prado ficar no cargo por mais um mandato.

O que acontece agora

Os deputados avaliam que o PL deve convergir para um nome só, para evitar um racha interno. O parlamentar que reunir mais apoios dentro e fora do partido deve ser o indicado.

A eleição para a Mesa Diretora da Alesp ocorre no início da nova legislatura, em 2027, quando os 27 deputados do PL tomam posse.