Uma pesquisa Veritá divulgada neste sábado (12) põe Guilherme Derrite (PP) e André do Prado (PL) na frente da disputa por uma das duas vagas de São Paulo no Senado, com 21% e 20,3% das intenções de voto. O resultado inverte o quadro apontado por outros dois institutos na mesma semana.
O levantamento, com recursos próprios do instituto, ouviu 3.025 eleitores entre 7 e 12 de setembro. Tem margem de erro de dois pontos, confiança de 95% e registro no TSE sob os números SP-03139/2026 e BR-00965/2026. Marina Silva aparece em terceiro, com 15,7%, e Simone Tebet, com 13,1%.
A diferença é grande em relação ao Datafolha, contratado por Globo e Folha, que aponta empate técnico entre os quatro primeiros colocados: Marina Silva e Tebet dividiam a liderança com 13% cada, e Derrite tinha 10%, dez pontos percentuais a menos que na Veritá.
Por que os números divergem tanto?
As diferenças vêm de institutos, amostras e datas de coleta distintas. A Veritá ouviu 3.025 pessoas até sábado (12); o Datafolha, 1.610, até sexta (11); a margem de erro de cada uma, de até 2,4 pontos, não explica sozinha um salto de dez pontos.
A Paraná Pesquisas, com recursos próprios, ouviu 1.680 eleitores entre 7 e 10 de setembro e chegou a um cenário diferente: Marina Silva com 30,4%, Tebet com 29,5% e Derrite com 28,9%, tecnicamente empatados segundo o próprio instituto. André do Prado aparece atrás, com 19,3%.
Em agosto, uma pesquisa Quaest já mostrava Derrite e Marina Silva empatados, com 12% cada, e Tebet com 11%, números mais próximos do Datafolha do que da Veritá de agora. Nenhuma pesquisa isolada tem sustentado o mesmo retrato da corrida por mais de duas semanas.
Veja como cada instituto retratou a disputa na mesma semana:
| Instituto | Amostra e margem | Quem lidera | Registro TSE |
|---|---|---|---|
| Veritá | 3.025, 2 pontos | Derrite (21%) e Do Prado (20,3%) | SP-03139/2026 |
| Datafolha | 1.610, 2 pontos | Marina Silva e Tebet (13% cada) | SP-04189/2026 |
| Paraná Pesquisas | 1.680, 2,4 pontos | Marina Silva, Tebet e Derrite (28,9% a 30,4%) | SP-08090/2026 |
O que pesa contra Derrite na campanha
Pesa contra Derrite o período em que comandou a Segurança Pública de São Paulo, entre 2023 e 2025. Simone Tebet cita denúncias do Ministério Público que associam policiais militares e civis a facções como PCC e Comando Vermelho.
Denúncias seríssimas de corrupção e de envolvimento da Polícia Militar, e alguns dizem até da Polícia Civil, com o crime organizado
A declaração é de agosto, em entrevista ao jornal O Vale, na qual Tebet chamou o episódio de a "grande fragilidade" da candidatura adversária. Derrite não respondeu publicamente às denúncias citadas por ela.
Ex-tenente da ROTA, Derrite entrou na PM em 2003 e virou, em 2023, o primeiro oficial da corporação a assumir a Secretaria de Segurança Pública paulista. Deixou o cargo em dezembro para a pré-candidatura, lançada em fevereiro com apoio de Tarcísio de Freitas.
Do outro lado da frente que hoje lidera, André do Prado chega à disputa depois de quatro mandatos como deputado estadual e da presidência da Alesp desde 2023. Antes da política, foi feirante, soldador e professor da rede pública em Guararema, no Vale do Paraíba.
Um debate entre os cinco primeiros colocados, dias antes, teve Ricardo Salles associando Do Prado ao PT, enquanto Tebet e Marina Silva evitaram embate direto entre si.
O que acontece agora
As duas vagas de São Paulo no Senado são decididas em turno único, no dia 4 de outubro, mesma data da eleição para presidente e governador. Não há segundo turno para o cargo: os dois candidatos mais votados assumem o mandato.
Com 15% de indecisos só na pesquisa Veritá, mais quase 4% de votos brancos ou nulos, a definição de quem leva as duas cadeiras segue mais aberta do que qualquer uma das três pesquisas sugere isoladamente.




























