O ministro do Interior do Paraguai, Enrique Riera, renunciou ao cargo na quinta-feira (5 de novembro) para voltar a ocupar sua cadeira no Senado, que retoma na sexta-feira (6 de novembro) o julgamento de impeachment contra o presidente Santiago Peña.
Carlos Humberto Benítez González assume o ministério interinamente. Riera era senador antes de assumir o Interior, em meio à crise bancária que ameaça o governo.
Segundo o jornal paraguaio ABC Color, que teve acesso ao decreto que oficializa a mudança, a renúncia é uma estratégia para que ele reassuma imediatamente a cadeira e vote no julgamento de impeachment contra Peña.
Com a volta de Riera, Ramón Catalino Retamozo Delgado, suplente que ocupava a vaga desde que o senador assumiu o governo, deixa o cargo. Benítez continuará exercendo também as funções de vice-ministro de Segurança Interna, segundo o mesmo decreto.
Horas antes de sua própria renúncia ser confirmada, Riera foi quem levou ao Congresso a carta em que Peña comunicava a intenção de deixar a Presidência, segundo o ABC Color.
O Legislativo não aceitou o pedido. Peña permaneceu no cargo enquanto o impeachment avançava.
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Como começou a crise
A crise começou com a quebra do Ueno Bank, que concentrava cerca de US$ 850 milhões em depósitos públicos e deixou cerca de 3 milhões de clientes sem acesso aos próprios depósitos, incluindo recursos do Instituto de Previdência Social.
O Banco Central do Paraguai iniciou o processo de liquidação da instituição na terça-feira (3 de novembro), após identificar insuficiência de recursos para cobrir as obrigações do banco com empréstimos concedidos a empresas vinculadas ao próprio grupo controlador.
Peña, que é economista, foi acionista do Grupo Vázquez, controlador do Ueno Bank, até março do ano passado. Oito executivos da instituição já foram presos, entre eles o principal acionista e vice-presidente do banco, Miguel Vázquez, investigado por suposta manipulação da situação patrimonial da empresa.
O que a crise pode mudar para o Brasil
A instabilidade no Paraguai preocupa autoridades brasileiras porque a fronteira entre os dois países é rota conhecida de contrabando, narcotráfico e tráfico de armas, monitorada por policiais e investigadores dos dois lados, segundo análise da CNN sobre o cenário.
Qualquer instabilidade política dos países da América Latina vizinhos ao Brasil traz um cenário de incertezas, disse a analista de política Julliana Lopes, da CNN, ao programa Hora H.
Sob a gestão de Peña, o Paraguai entrou no chamado Escudo das Américas, grupo de países latino-americanos alinhado ao governo de Donald Trump para o combate a organizações classificadas como narcoterroristas, posicionamento visto pelo Brasil como risco ao próprio território nacional.
Fica em aberto se o próximo líder manterá o alinhamento com Washington.
O que acontece agora
O Senado paraguaio convocou Peña para apresentar sua defesa na sessão extraordinária marcada para a manhã de sexta-feira (6 de novembro). Depois da apresentação, os parlamentares devem analisar provas, ouvir os argumentos das partes e realizar uma votação nominal.
Para aprovar a destituição de Peña são necessários pelo menos 30 votos dos 45 senadores. Se o afastamento for aprovado, o vice-presidente Pedro Alliana assume a Presidência, conforme a ordem de sucessão constitucional.






























