A dona de casa Laise Sousa Carvalho, que em setembro se acorrentou aos portões do Hospital Geral de Palmas (HGP) para cobrar o tratamento cardíaco do filho Kauan, de 5 anos, também acompanha a filha Larissa, de 10, em tratamento contra a leucemia.

A família mora em Paraíso do Tocantins, a 60 km de Palmas. Larissa faz acompanhamento mensal no Centro Infantil Boldrini, em Campinas (SP).

"Todos os meses a gente tem que ir: ela faz exames, toma medicação e, se correr tudo bem, retorna para casa", contou Laise. "O tratamento da Larissa ainda vai continuar com essas idas todos os meses até 2028."

A rotina da menina inclui quimioterapia injetável semanal e comprimidos diários de quimioterapia oral com mercaptopurina. Aos fins de semana, ela toma doses preventivas de antibiótico para reforçar a imunidade.

A sobrevida de crianças com leucemia melhorou nas últimas décadas. A taxa de sobrevida ao câncer infantil subiu de 49% para 71% em 50 anos, embora varie por tipo de tumor.

Hematologistas também apontam novos tratamentos para leucemia, linfoma e mieloma nos últimos anos.

Como a família sustenta os dois tratamentos

A família vive do benefício assistencial de Kauan e do trabalho do pai das crianças como pedreiro, que recebe por diária. "Quando ele precisa viajar com a Larissa, não ganha dinheiro. Fica bem difícil para nós e faltam coisas básicas dentro de casa", disse Laise.

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Nas viagens a Campinas, a família fica em casa de apoio, mas arca com alimentação e transporte por aplicativo. Quando Laise ou o marido viajam com Larissa, Kauan fica com a avó materna e outros parentes.

O caso de Kauan motivou o protesto da mãe em setembro. O menino nasceu com malformação congênita no coração e precisava da cirurgia de Fontan, de grande porte.

A Justiça do Tocantins determinou a transferência dele por UTI aérea a São Paulo, autorizada pelo governo estadual em 12 de setembro. A família buscava esse atendimento desde 2024.

A espera lembra a de outros pacientes que dependem da Justiça para conseguir tratamento pelo SUS.

Em 2 de outubro, porém, médicos do Hospital da Criança e Maternidade de São José do Rio Preto descartaram a cirurgia em reunião com Laise, pelo alto risco de morte por complicações neurológicas e pulmonares.

Kauan respira com dificuldade, se alimenta por sonda, não anda e não fala.

O que acontece agora

Kauan segue em acompanhamento clínico, sem data de nova avaliação cirúrgica. Larissa continua as idas mensais a Campinas, previstas até 2028.

A rotina de viagens entre os dois estados segue sustentada pela própria família, sem apoio de transporte ou hospedagem além da casa de apoio em Campinas.