A dupla sertaneja Jorge & Mateus recebeu cerca de R$ 12 milhões em cachês pagos por prefeituras entre março de 2024 e fevereiro de 2026. O valor foi apurado pelo Metrópoles com base em registros do Portal Nacional de Contratações Públicas (PNCP).
O contrato de maior valor identificado foi firmado em São Luís, no Maranhão, em fevereiro deste ano: R$ 1,5 milhão por uma apresentação.
Das 13 contratações localizadas, seis foram para shows no Nordeste, divididas entre Maranhão, Rio Grande do Norte, Bahia, Alagoas e Ceará. As demais ocorreram em São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Goiás e Mato Grosso.
A maioria dos municípios que contrataram a dupla é administrada por prefeitos de centro-direita ou direita. O levantamento considera só o que está registrado no PNCP e pode não contemplar todos os valores recebidos no período.
Por que os shows foram cancelados?
Os cancelamentos em Recife e Fortaleza vieram depois que o cantor Jorge interpretou uma paródia do sucesso "Pode Chorar" com a frase "Pode chorar, mas eu não voto no PT", o que provocou críticas nas redes sociais.
Na terça-feira (3 de novembro), o prefeito do Recife, Victor Marques (PCdoB), cancelou a apresentação marcada para 27 de dezembro. Segundo ele, "não há mais clima para a apresentação da dupla" diante da repercussão.
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No mesmo dia, o prefeito de Fortaleza, Evandro Leitão (PT), retirou a dupla da programação de Ano-Novo da capital cearense.
A mobilização contra os shows foi motivada pelo apoio do cantor Jorge a Flávio Bolsonaro (PL) durante o período eleitoral, o mesmo tipo de contratação pública que hoje soma R$ 12 milhões em cachês para a dupla.
Em sentido oposto, a Prefeitura de Salvador confirmou, na quarta-feira (4 de novembro), a presença da dupla no Festival Virada Salvador 2027.
"Nós vivemos numa democracia, temos que respeitar as opiniões divergentes", disse o prefeito Bruno Reis (União Brasil), que defendeu não usar convicção política como critério de contratação.
Caramelo e Leizinho, da Turma do Pagode, comentaram o caso no podcast "g1 ouviu". "A pessoa não é obrigada [a revelar] o partido dela", disse Leizinho. "Você tem direito de fazer o que você quiser, só que tudo tem uma consequência", completou Caramelo.
O que acontece agora
A apresentação em Salvador está prevista para 31 de dezembro. Se o cachê for igual ao pago no último ano, a contratação deve custar ao menos R$ 1 milhão aos cofres públicos.
O episódio se soma a outras contratações de sertanejos ligadas ao período eleitoral. Mais de 30 cantores do gênero já haviam declarado apoio a Flávio em Goiás, enquanto outros artistas se dividiram entre Lula e Flávio no 2º turno.
Na mesma semana da eleição, estudantes fizeram atos contra Flávio em nove estados.






























