A Justiça dos Estados Unidos condenou o brasileiro Ygor Fokin Saviolli, 35 anos, a 12 anos de prisão por chefiar esquema que lavou mais de US$ 30 milhões para o Primeiro Comando da Capital (PCC). A sentença é de 16 de outubro.

Saviolli foi preso pelo FBI em um aeroporto da Flórida em janeiro deste ano.

No Brasil, a juíza Monica Camargo decretou prisão preventiva dele na Operação Exchange, da Polícia Federal (PF). A ordem não pôde ser cumprida porque ele já estava sob custódia americana. A defesa dele não havia sido localizada até a publicação da reportagem do g1.

Segundo o Departamento de Justiça dos EUA (DOJ), Saviolli exercia papel de gerente e supervisor na organização. Ele adiantava recursos e supervisionava o recebimento e a lavagem dos US$ 30 milhões movimentados pela rede, cerca de R$ 156 milhões.

Os correios recebiam o dinheiro em espécie da venda de drogas nos Estados Unidos e depositavam o montante em bancos pelo país, disfarçando a origem antes de devolver os lucros aos fornecedores.

A condenação é o desfecho nos Estados Unidos de um esquema que a Polícia Federal já apurava desde julho, na Operação Exchange, que investiga lavagem de dinheiro em sete países.

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Saviolli integra o mesmo processo que mira o empresário Victor Henrique de Oliveira Shimada, apontado pela PF como "doleiro moderno" e alvo de sanções do Tesouro americano. O PCC já havia expandido para o uso do sistema financeiro internacional em outras frentes.

Ele é descrito como responsável por operar mais de 70 empresas de fachada ligadas ao esquema. O núcleo do grupo também inclui Amauri Henrique de Oliveira, foragido e apontado como responsável pela logística no Brasil, além de Stella Stefanie Nunes.

O que acontece agora

Com a sentença, Saviolli se torna o sexto réu condenado no processo federal que apura o esquema nos Estados Unidos. Amauri Henrique de Oliveira, apontado como responsável pela logística do grupo no Brasil, continua foragido.

No Brasil, a Advocacia-Geral da União ajuizou nesta terça-feira (20) quatro ações civis para confiscar R$ 190,3 milhões ligados ao PCC e ao Comando Vermelho. A base legal é a Lei Antifacção, que permite o perdimento de patrimônio ilícito independentemente de condenação criminal prévia.

Segundo a AGU, as apurações identificaram movimentações financeiras superiores a R$ 230 milhões, além de imóveis, aeronaves e veículos de luxo. Também foram identificadas conexões entre investigados e um integrante do Comando Vermelho, mas sem comprovação de vínculo formal entre as facções.