Mensagens apreendidas pela Polícia Civil de São Paulo colocam o ex-vereador Milton Leite no foco da investigação sobre suposta atuação do PCC no transporte público da capital. Segundo o G1, os diálogos foram extraídos de celulares e citam o nome do ex-presidente da Câmara Municipal.

A apuração investiga se empresas de ônibus foram usadas para movimentar e lavar dinheiro do tráfico de drogas. De acordo com investigadores citados pelo G1, o grande volume de dinheiro do transporte coletivo facilitaria o escoamento de valores ilícitos.

Em uma das conversas reveladas, um interlocutor diz: "Eu acho que vai envolver Milton Leite, o pessoal tudo". Em outro trecho, a preocupação se repete: "Querendo ou não, vai envolver o Milton Leite, né?"

Milton Leite nega irregularidades. Ao G1, ele afirmou: "Só arrepende quem comete crime. Eu não cometi nenhum, nada devo." A defesa do ex-vereador também entrou com pedido de habeas corpus no Superior Tribunal de Justiça (STJ), segundo a CNN Brasil.

A nova etapa muda o peso público do caso porque leva a investigação para além da prisão: agora há mensagens internas, depoimentos e disputa judicial no STJ.

O que há de novo na investigação?

O que há de novo na investigação são mensagens extraídas de celulares apreendidos e depoimentos de policiais mencionados pelo G1. O material, segundo a reportagem, aproxima Milton Leite do debate sobre quem controlava empresas investigadas no transporte público paulistano.

Um sargento da Rota afirmou que foi convidado para fazer segurança da Transwolff, empresa já investigada por suspeita de ligação com o PCC. Ele declarou que Milton Leite seria o verdadeiro proprietário da companhia, mas admitiu não ter provas da acusação.

Outro policial disse que fazia escolta de valores para a empresa e para empresários ligados ao grupo. O capitão Alexandre Paulino Vieira, citado por ambos, negou as acusações, segundo o G1.

Como o caso chegou a este ponto?

Como o caso chegou a este ponto passa pela Operação Vectura Corrupta, deflagrada em 17 de setembro pela Polícia Civil e pelo Ministério Público de São Paulo. A Agência Brasil informou que a operação cumpria 16 mandados de prisão e 18 de busca e apreensão.

A TV Sim publicou naquele dia que a operação mirava o ex-presidente da Câmara por suposto elo com o PCC. No dia seguinte, Leite se entregou à polícia em Mogi das Cruzes, depois de não ser encontrado durante o cumprimento do mandado.

A prisão temporária de Milton Leite virou novo capítulo da cobertura. A TV Sim registrou que o ex-vereador foi preso sob suspeita de gerir ônibus ligados ao PCC, sempre com a ressalva de que a investigação ainda está em andamento.

Na segunda-feira (21), outro desdobramento apareceu fora dos autos principais. A TV Sim mostrou que um furto em escritório ligado a Milton Leite levou um DVR em São Paulo, episódio apurado separadamente pela polícia.

O que acontece agora

O próximo passo é a análise do habeas corpus no STJ, segundo a CNN Brasil. Enquanto isso, a investigação segue sob responsabilidade das autoridades paulistas, e os elementos citados até aqui ainda precisam ser examinados no processo.

A presunção de inocência vale para Milton Leite e para os demais investigados. Até uma decisão judicial definitiva, as suspeitas devem ser tratadas como suspeitas, não como culpa comprovada.