A Justiça condenou 17 integrantes de uma organização criminosa que explorava o jogo do bicho e lavava dinheiro no Norte de Minas Gerais. As penas somadas ultrapassam 87 anos de prisão, informou o Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) nesta terça-feira (20).

Os condenados responderam por organização criminosa, lavagem de dinheiro e pela contravenção penal de exploração de jogos de azar. A sentença acolheu as teses do Gaeco Regional de Montes Claros e da 9ª Promotoria de Justiça do município.

"Os condenados integravam uma estrutura criminosa organizada, com divisão de funções e atuação coordenada para a exploração do jogo do bicho", informou o MPMG, em nota.

"A organização criminosa também utilizava mecanismos financeiros e patrimoniais destinados a ocultar e dissimular recursos obtidos com a atividade ilícita", completa o texto.

A organização mantinha ampla rede de apostas clandestinas, com estrutura administrativa e financeira própria para arrecadar, movimentar e gerir os valores do esquema. A condenação se baseou em interceptações telefônicas autorizadas pela Justiça, dados extraídos de celulares apreendidos e informações bancárias e fiscais dos investigados.

Como foi a Operação Provérbios 13:11

A Operação Provérbios 13:11 foi realizada em dezembro de 2023 pelo Gaeco Regional de Montes Claros e pela Polícia Militar de Minas Gerais. A ação cumpriu 65 mandados de busca e apreensão em Montes Claros, Januária e Brasília de Minas.

A Justiça determinou a indisponibilidade de bens dos investigados até o limite de R$ 16,8 milhões. Na ação, foram apreendidos dinheiro, joias e máquinas de cartão de crédito.

Publicidade

O esquema tinha estrutura comparável à de uma empresa, com setores dedicados a arrecadar, movimentar e esconder o dinheiro das apostas.

Não é o único caso do tipo recente no estado. Em maio, uma operação desmantelou esquema de lavagem de dinheiro ligado ao PCC em Minas Gerais.

O jogo do bicho segue sendo crime no país. Em agosto, o STF formou placar de 2 a 0 para manter o jogo do bicho e o bingo como contravenções penais.

Minas Gerais já havia registrado outro caso do tipo em julho, quando a Polícia Civil bloqueou R$ 11 milhões em outro esquema de jogo do bicho no estado.

O que acontece agora

As investigações continuam sobre outras organizações criminosas da região, consideradas distintas da estrutura agora condenada, mas suspeitas de crimes semelhantes: exploração ilegal de jogos de azar, lavagem de dinheiro, agiotagem e falsidade documental.