O Ministério Público de São Paulo denunciou o vereador Senival Pereira de Moura (PT) e mais 20 pessoas por suposto esquema de lavagem de dinheiro do PCC na Transunião, concessionária de ônibus da capital paulista. A investigação sobre a empresa começou em 2020.
A Transunião recebeu mais de R$ 300 milhões em recursos públicos somente em 2025, segundo o MP. A investigação aponta uma estrutura paralela de comando dentro da empresa, que ordenava repasses diretos de dinheiro a criminosos ligados à facção.

Entre os denunciados estão o presidente da Transunião, Lourival de França Monário, e outros apontados pela investigação como operadores financeiros do esquema. A Operação Última Parada, que resultou nas prisões de Moura e Monário em junho, foi deflagrada pelo MP e pela Polícia Civil.
Moura foi solto depois por decisão da Justiça em um pedido de habeas corpus. Segundo apuração anterior, ele movimentou mais de R$ 8,7 milhões entre 2019 e 2022, dos quais cerca de R$ 2,47 milhões sem origem declarada.
As investigações sobre a Transunião começaram em 2020, após o assassinato do então presidente da empresa, Adauto Soares Jorge. Dois dos hoje denunciados foram apontados pela polícia como autores do crime.
O padrão por trás do caso Transunião
O caso Transunião não é isolado. Em setembro, a Operação Vectura Corrupta mirou outra frente da apuração do Ministério Público sobre o setor. Segundo os promotores, pelo menos 12 empresas de ônibus seriam controladas direta ou indiretamente pelo PCC.
A operação teve 16 mandados de prisão e 18 de busca e apreensão. Entre os alvos está Paulo Sirqueira Korek Farias, apontado como "laranja" do PCC e dono das empresas Translíder e A2 Transportes.
Ele também preside o clube de futebol Água Santa.
Em outra frente da mesma apuração, o ex-presidente da Câmara Municipal, Milton Leite (União Brasil), teve a prisão temporária mantida pelo STJ. Seu nome apareceu em áudios de um apontado operador do PCC que tratava de resolver problemas da empresa UPBus, também sob suspeita.
A facção também aparece em investigações eleitorais. Uma apuração distinta apontou que o PCC teria financiado a campanha do candidato Danilo Morgado (PL) em 2026.
Nos quatro casos, empresas de ônibus teriam sido usadas como fachada para movimentar dinheiro da facção, segundo as investigações do Ministério Público.
Quantas das 12 empresas seguem operando
Das 12 empresas apontadas pela investigação, não há uma lista pública de quantas seguem com contrato ativo para operar ônibus em São Paulo. A Prefeitura e o Ministério Público ainda não informaram quantos contratos seguem com empresas sob suspeita de ligação com o PCC.






























