O ex-presidente da Câmara Municipal de São Paulo Milton Leite (União) foi transferido nesta terça-feira (20) da Cadeia Pública de Mogi das Cruzes para o Centro de Detenção Provisória de Guarulhos, após denúncias de regalias na unidade onde estava preso desde setembro.

Leite está preso desde 18 de setembro por suspeita de integrar organização criminosa ligada ao PCC (Primeiro Comando da Capital), que teria se infiltrado em empresas de ônibus no estado. Ele nega as acusações.

A transferência foi motivada por suspeitas de favorecimentos ao político na carceragem de Mogi das Cruzes. Três delegados e um carcereiro foram afastados das funções, segundo o Metrópoles.

O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO-MPSP) deflagrou a Operação Custódia (In)Fiel na sexta (16/10) para apurar as regalias. A investigação começou após denúncia anônima sobre visitas de políticos e amigos fora dos horários autorizados.

Um carcereiro suspeito de facilitar as regalias teve cerca de R$ 155 mil e US$ 10 mil apreendidos na operação.

Entre os políticos que teriam visitado Leite sem autorização formal estão Valdemar da Costa Neto, presidente nacional do PL, e os deputados estaduais Delegado Olim (PP) e Rogério Franco (PL).

"Milton não recebe nem recebeu nenhum tipo de regalia ou tratamento diferenciado na unidade em que está custodiado. Ele está submetido às mesmas regras, rotinas e restrições aplicadas a todos os demais custodiados, cumprindo as normas do estabelecimento", diz nota da defesa de Milton Leite.

Leite também é investigado na Operação Vectura Corrupta, que apura a infiltração do PCC no transporte público de São Paulo.

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Segundo investigadores, ele seria responsável pela operação de empresas sob controle da facção, incluindo a Transwolff, da qual seria apontado como dono de fato. O caso une duas suspeitas, a ligação com o PCC e as regalias na cadeia.

Passageiros em fila de ponto de ônibus na zona sul de São Paulo
Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil — imagem de contexto do transporte público em São Paulo, setor-alvo da investigação

Relembre o caso

Milton Leite foi preso em 18 de setembro, suspeito de gerir ônibus ligados ao PCC em São Paulo. Dias depois, mensagens atribuídas a ele reforçaram as suspeitas do Ministério Público.

A investigação já identificou a suposta infiltração da facção em 12 empresas de ônibus da capital paulista. Na semana passada, a Corregedoria também afastou policiais por suspeita de regalias ao ex-presidente da Câmara na cadeia.

O que acontece agora

O destino final de Milton Leite após a transferência para o CDP de Guarulhos não foi divulgado pelas autoridades.

A Operação Custódia (In)Fiel segue apurando as supostas regalias na cadeia de Mogi das Cruzes, enquanto a Vectura Corrupta investiga a infiltração do PCC nos ônibus de São Paulo.