O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) soma 11 faltas em 48 reuniões deliberativas do Senado desde que deixou o Brasil, no fim de outubro, sem entregar o passaporte como determinou o ministro Alexandre de Moraes, do STF. Restam 25 sessões até o recesso.

Pela Constituição, perde o mandato quem falta a mais de um terço das sessões sem justificativa aceita. Flávio não comunicou afastamento à Mesa do Senado, o que impede o voto remoto em casos de calamidade, força maior ou urgência.

Moraes é relator de um dos dois inquéritos abertos no STF: a suspeita é de que o senador seria sócio oculto do advogado Willer Tomaz na casa de apostas Best Bet. Registros o apontam como "usuário master" de conta na Ilha da Madeira.

O que está em jogo para o mandato

Está em jogo a cassação automática pela Mesa do Senado, se as faltas passarem de um terço antes de 31 de janeiro de 2027, fim do mandato. Hoje, o senador recebe R$ 46.366,19 por mês.

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O segundo inquérito, sob relatoria do ministro André Mendonça, apura suspeita de lavagem de dinheiro e evasão de divisas em aportes do empresário Daniel Vorcaro ao filme "Dark Horse", sobre Jair Bolsonaro. Dos US$ 12 milhões enviados ao exterior, só US$ 2,8 milhões retornaram.

Moraes também pode decretar prisão preventiva pelo descumprimento da ordem de entrega dos passaportes. Um pedido de extradição é improvável: os EUA não entregaram nem Allan dos Santos nem Alexandre Ramagem antes.

O que acontece agora

Flávio planeja liderar a oposição a distância pelo senador Rogério Marinho, que lançou candidatura à presidência do Senado para 2027, mesmo cargo que Davi Alcolumbre tenta manter.

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A disputa reflete o novo peso do PL, que saltou de 15 para 28 senadores nas eleições de outubro.

A fuga já teve outros custos: o avião que o levou aos Estados Unidos custou R$ 414 mil, e o visto usado por ele nos EUA é do tipo negado em quase 85% dos pedidos semelhantes.

No Senado, a própria disputa pela presidência da Casa já começou: o PL lançou Marinho contra Alcolumbre na segunda-feira (2 de novembro).