As fábricas de vestuário de Bangladesh retomaram brevemente as operações na segunda-feira (2 de novembro), após uma paralisação generalizada no dia anterior, mas novos confrontos entre trabalhadores e a polícia forçaram centenas de fábricas a suspender a produção de novo.
A agitação gerou preocupações quanto a atrasos nas remessas e à confiança dos compradores em Bangladesh, fornecedor de marcas como H&M, Zara, Walmart e Primark, em momento crítico do ciclo de produção para os pedidos de exportação de primavera e verão.
Trabalhadores exigiam salário mínimo mensal de 30 mil takas (US$ 243), mais que o dobro dos atuais 12.500 takas. Bloquearam estradas, vandalizaram fábricas e entraram em confronto com a polícia nos principais distritos industriais. Ao todo, 679 fábricas interromperam a produção.
Bangladesh é o segundo maior exportador mundial de vestuário, atrás apenas da China. O setor de confecções responde por mais de 80% das receitas de exportação do país e emprega cerca de 4 milhões de trabalhadores.
O governo formou, no domingo (1º de novembro), uma comissão salarial de seis membros para analisar as reivindicações dos trabalhadores, que ganharam força em meio à inflação persistente e ao aumento do custo de vida.
A polícia informou ter usado gás lacrimogêneo para dispersar trabalhadores que tentavam bloquear estradas em Daca, depois que manifestantes atiraram tijolos e pedras contra os policiais. Também houve distúrbios em Ashulia e Gazipur, dois centros industriais nos arredores da capital.
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Manifestantes incendiaram um veículo da polícia e vandalizaram fábricas, segundo autoridades do setor. "Bangladesh tem um dos salários mais baixos do mundo no setor têxtil", afirmou Babul Akhter, secretário-geral da Federação dos Trabalhadores Têxteis e Industriais de Bangladesh.
H&M e Zara têm lojas no Brasil, abastecidas majoritariamente por fábricas na Ásia, a mesma cadeia afetada pelos protestos. A dona da Zara, a Inditex, é hoje avaliada abaixo do Santander no ranking de empresas mais valiosas da Espanha.
O aperto salarial em Bangladesh contrasta com a pressão do lado oposto da cadeia: fábricas brasileiras dizem que as tarifas dos EUA agravam a crise no setor têxtil por aqui, com menos competitividade para exportar.
No varejo, a concorrência também aperta: varejistas de moda listados na B3 enfrentam desafios da concorrência internacional, segundo relatório do setor.
O que acontece agora
A comissão salarial formada pelo governo ainda não tem prazo definido para apresentar uma proposta. Enquanto isso, fábricas seguem fechando e reabrindo conforme os confrontos se repetem nos distritos industriais de Daca.































