A corretora brasileira Mercado Bitcoin suspendeu depósitos e saques na segunda-feira (2 de novembro) após identificar um incidente de segurança na madrugada. A empresa Hypernative estima que cerca de US$ 40 milhões, R$ 217,7 milhões, saíram de carteiras ligadas à corretora.
Segundo a Hypernative, a maior parte das transferências ocorreu entre 3h19 e 3h53, para endereços recém-criados.
Em nota publicada no X, a Mercado Bitcoin afirmou: "Identificamos e contivemos com rapidez um incidente de segurança". A empresa diz não ter havido "nenhum prejuízo aos clientes" nem vazamento de dados.
A corretora não confirmou o valor estimado pela Hypernative e disse investigar o caso com as autoridades.
Por que isso não é um caso isolado
O incidente entra numa sequência de ataques que se acelerou nos últimos meses. Segundo a TRM Labs, o 1º semestre de 2026 teve 207 ataques de hackers ao setor financeiro e de cripto, o maior número já registrado pela empresa em seis meses.
Em agosto, hackers roubaram mais de US$ 100 milhões ao explorar falha nas carteiras físicas da Coinkite. Em 28 de outubro, uma onda atingiu a Coreia do Sul: a Daishin Securities confirmou exposição de dados de 38.490 clientes.
No dia seguinte, a Polymarket suspendeu negociações após um provedor terceirizado ser comprometido, com perda de cerca de US$ 2,7 milhões.
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Fechando a semana, veio o maior golpe: na sexta-feira (30 de outubro), a Binance perdeu US$ 6,3 bilhões em poucos minutos, atribuídos pelo FBI ao TraderTraitor, grupo ligado à Coreia do Norte.
A Binance já retomou os saques após recompor 95% do valor roubado, e prometeu ressarcir os clientes pelo restante.
Especialistas ouvidos pela InfoMoney acreditam que grupos ligados à Coreia do Norte vêm incorporando inteligência artificial ao arsenal de ataques, usada sobretudo para reconhecimento de alvos e engenharia social.
O Brasil também não é novidade nesse radar. Em outubro, hackers brasileiros atacaram um banco num golpe ligado ao Pix.
O que acontece agora
O incidente cai numa semana delicada para a Mercado Bitcoin. Em 27 de outubro, a corretora pediu ao Banco Central a licença para operar como Prestador de Serviço de Ativo Virtual, categoria obrigatória no país.
O prazo para pedir essa autorização terminou na sexta-feira (30 de outubro), e a nova regra tem a cibersegurança como uma das exigências centrais.
O ponto em aberto
O Banco Central passou a exigir controles de cibersegurança para operar com criptoativos no Brasil, mas o incidente na Mercado Bitcoin aconteceu na mesma semana em que a corretora pedia essa licença.
Fica a pergunta se a nova regra será suficiente para conter uma onda que, segundo a TRM Labs, já soma 207 ataques só no 1º semestre de 2026.































