O governador reeleito do Piauí, Rafael Fonteles (PT), defendeu o equilíbrio fiscal na segunda-feira (2 de novembro), ao anunciar a permanência do secretário estadual da Fazenda. Fonteles é cotado para assumir o Ministério da Fazenda no quarto mandato do presidente Lula.

Fonteles aproveitou o anúncio da permanência do secretário Emílio Joaquim de Oliveira Júnior à frente da Fazenda do Piauí para reforçar o discurso de responsabilidade fiscal, antes de uma possível indicação ao primeiro escalão do governo federal.

Nossos agradecimentos por aceitar a renovação dessa missão tão importante para garantir o equilíbrio fiscal do Estado do Piauí e, consequentemente, as diversas políticas públicas que melhoram a vida do nosso povo.

Segundo Fonteles, o Piauí lidera o país em investimentos públicos proporcionais à receita, tem nota B+ de capacidade de pagamento pelo Tesouro Nacional, numa escala que vai de A+ a D, e mantém as despesas com pessoal em 38% da Receita Corrente Líquida.

O estado está entre os dois únicos do país sem dívida junto ao governo federal, com taxa de endividamento inferior à metade da registrada em São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais, segundo o governador.

O nome de Fonteles ganhou força nas discussões sobre a equipe econômica do quarto mandato de Lula após a reeleição do presidente, em 25 de outubro. Ele é considerado um dos favoritos ao Ministério da Fazenda, embora Lula não tenha definido o comando da pasta.

Antes do governo do Piauí, Fonteles comandou a própria Secretaria da Fazenda do estado e presidiu o comitê nacional dos secretários estaduais da área. Na semana anterior, Durigan o chamou de "excelente nome" para integrar o governo federal.

Fonteles negou, na quinta-feira (29 de outubro), qualquer conversa com Lula sobre o cargo.

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Nem todo o PT segue a mesma linha: integrantes do partido apoiam a proposta de Lara Resende para reduzir os juros, caminho oposto ao discurso de austeridade de Fonteles.

O desequilíbrio das contas públicas é hoje um dos principais pontos de crítica de especialistas à gestão de Lula, segundo o Valor. Agentes de mercado esperam sinalizações de uma política mais austera no próximo mandato.

O que acontece agora

A posse do quarto mandato de Lula está marcada para 5 de janeiro de 2027. Até lá, o presidente deve definir o comando da Fazenda, disputado entre o discurso fiscal de Fonteles e a ala que defende juros mais baixos.

A escolha vem na mesma semana em que a disputa por outros ministérios trava com o Centrão.

O que falta para Lula decidir

Fonteles reúne o discurso que o mercado cobra e os números que sustentam esse discurso no Piauí. Falta saber se esse perfil resolve a disputa interna do PT entre fiscal e juros, ou se Lula busca consenso antes de fechar a equipe.