Um fóssil de dinossauro achado na Chapada do Araripe guardou resíduo de sangue preservado por 115 milhões de anos. A descoberta, publicada na segunda-feira (2 de novembro) na revista PNAS, é considerada a evidência mais forte já registrada de células sanguíneas em dinossauro.
O fóssil pertence ao Aratasaurus museunacionali, um terópode bípede de cerca de 3,1 metros encontrado na Formação Romualdo, sítio numa tríplice divisa entre Pernambuco, Ceará e Piauí.
O indivíduo analisado era provavelmente um filhote ou um adulto jovem, com cerca de quatro anos de idade quando morreu.
As estruturas microscópicas, que parecem glóbulos vermelhos fossilizados, foram achadas no osso da perna direita do animal. Os pesquisadores também detectaram evidências químicas da heme B, biomolécula com ferro associada à hemoglobina, a proteína que dá ao sangue sua cor vermelha.
É mais um achado que amplia o que o Brasil tem revelado sobre o período: em agosto, pegadas de 130 milhões de anos já haviam revelado o maior mamífero conhecido do Cretáceo no país.

O que a descoberta realmente mostra
A pesquisa não documenta DNA de dinossauro, e a autora principal alerta contra essa interpretação. O que os cientistas encontraram foi um rastro químico, não material genético intacto.
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"Não encontramos um frasco com sangue de dinossauro. O que estamos vendo é um eco mineral e molecular da biologia antiga, e isso é cientificamente muito mais interessante", disse Kliti Grice, geoquímica da Universidade Curtin, na Austrália, que lidera o estudo.
Tecidos moles como músculos e penas raramente sobrevivem em fósseis, e células de fluidos corporais, como sangue, são ainda mais raras de se preservar. É por isso que o achado no Aratasaurus chamou atenção da comunidade científica.
"Para mim, o mais surpreendente é que podemos ver as estruturas juntamente com evidências químicas de sua origem biológica após um período geológico tão extenso", completou Grice.
Quem participou da pesquisa
O estudo teve participação de quatro pesquisadores brasileiros: Renan Bantim e Antônio Saraiva, da Universidade Regional do Cariri, e Juliana Sayão e Alexander Kellner, da UFRJ e do Museu Nacional, instituição que também identificou pena de dinossauro preservada em cocô fóssil neste ano.
O Brasil tem histórico de disputas por fósseis relevantes achados em seu território, incluindo casos de peças levadas ao exterior sem autorização. A Formação Romualdo, onde o Aratasaurus foi encontrado, é um dos sítios mais estudados do país.































