Um grupo que representa quase todas as montadoras dos Estados Unidos pediu, na segunda-feira (2 de novembro), que o Congresso americano aprove a proibição permanente de veículos chineses. No mesmo ano, o Brasil virou o maior comprador mundial de carros chineses, à frente da Rússia.

Entre janeiro e maio, o país importou US$ 5,2 bilhões em veículos da China. Carros chineses já são 52,4% de tudo que o Brasil importou em veículos nos sete primeiros meses do ano, e um em cada cinco carros zero vendidos aqui é chinês.

Trabalhador de fábrica de automóveis entre peças de carroceria numa linha de montagem
Produção em fábrica de montadora no Brasil: a Anfavea propõe cota de importação para carros chineses — Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil

O que as montadoras americanas pedem

A Aliança para a Inovação Automotiva, que representa GM, Toyota, Volkswagen e outras fabricantes, quer que os parlamentares aprovem o banimento quando voltarem ao trabalho na semana que vem, após as eleições de meio de mandato.

"Precisamos proteger o mercado dos EUA de uma enxurrada de importações chinesas que trazem riscos de vigilância e prejudicam os fabricantes atuais, que fizeram investimentos de gerações nas comunidades americanas", disse o presidente da entidade, John Bozzella.

Bozzella citou que a União Europeia importou mais de 1,1 milhão de veículos chineses nos oito primeiros meses de 2026, mais do que em todo 2025. No Senado dos EUA, uma comissão já aprovou o projeto; na Câmara, a versão tem mais de 100 coautores.

Por que o Brasil foi na direção oposta

O avanço chinês no Brasil tem uma explicação direta: as mesmas barreiras comerciais que EUA e União Europeia impuseram aos elétricos chineses empurraram essa produção para mercados mais abertos, e o Brasil foi um dos que mais absorveu o excedente.

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Essa corrida foi puxada também por importadores tentando antecipar compras antes de uma mudança na alíquota. O Brasil virou o maior destino mundial de elétricos e híbridos chineses: 337,1 mil unidades entre janeiro e agosto, alta de 159,4% sobre 2025.

Desde julho de 2026, o Brasil cobra tarifa de 35% sobre elétricos e híbridos importados prontos. Para veículos totalmente desmontados, a alíquota segue em 14% até o fim do ano.

A Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), que reúne as montadoras do Brasil, levou ao governo um pacote de medidas: salvaguardas temporárias, uma CIDE Automotiva e cotas de importação.

A proposta é limitar a importação de veículos chineses a entre 2,5% e 3% do mercado brasileiro, cerca de 75 mil a 90 mil veículos por ano.

É uma resposta ao avanço de marcas chinesas que dobraram de fatia no mercado brasileiro enquanto as vendas da China caíam no mercado interno. As exportações de veículos brasileiros também caíram 21,2% no primeiro semestre, atingidas pela mesma concorrência em terceiros mercados, como a Argentina.

Diferente da proibição total pedida nos EUA, a disputa brasileira até agora se resolveu por tarifa e cota, não por banimento.

O ponto em aberto

O governo brasileiro ainda não decidiu se aceita a cota de 2,5% a 3% proposta pela Anfavea, nem se vai repetir, para carros completos, a tarifa de 35% que já aplica aos elétricos prontos.

Com os EUA fechando a porta e a União Europeia negociando limites, o Brasil segue como um dos mercados mais abertos do mundo para o carro chinês. A pergunta que fica é até quando.