O Paraná amanheceu nesta terça-feira (13) com alerta laranja para tempestade em todos os 399 municípios do estado, com ventos de até 100 km/h e risco de granizo. Não é um episódio isolado: é o terceiro alerta forte em cinco dias.

Na sexta (9), o Inmet já havia emitido alerta vermelho, o mais grave da escala, para o oeste e sudoeste do Paraná, além de partes de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul.

Na segunda (12), o laranja cobria 260 cidades paranaenses. Nesta terça, o número saltou para as 399.

Por trás da sequência: a virada para o El Niño

O Simepar, órgão de meteorologia do Paraná, atribui a instabilidade ao fluxo de calor e umidade vindo em direção ao Sul do país. Em nota, a entidade afirma que esse fluxo é “combustível para a manutenção das instabilidades” ao longo de toda a semana.

Esse padrão tem uma causa maior. O Inmet declarou oficialmente o El Niño em junho, depois de uma transição que começou com o fim da La Niña em abril.

A novidade está na intensidade: o Inmet dá 90% de chance de o fenômeno ficar muito forte na primavera e no verão, com 75% de chance de ser o mais forte desde 1950 no trimestre que vai de outubro a dezembro.

Segundo o Inmet, a Região Sul, sobretudo o Rio Grande do Sul, e áreas de SP e Mato Grosso do Sul têm maior chance de chuva acima da média histórica. O órgão também vê temperaturas acima da média em boa parte do país.

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Na prática, isso significa que o Rio Grande do Sul corre o maior risco de ver cheias e inundações se repetirem com mais frequência neste verão.

O próprio Inmet alerta para o risco de “episódios de chuva intensa, cheias e inundações, especialmente no Rio Grande do Sul”.

O que ainda não dá para prever

O histórico recente já mostra o padrão se repetindo: em agosto, um ciclone extratropical colocou RS, SC e PR em alerta para vento de até 100 km/h, e o El Niño já dividia produtores paranaenses entre risco e oportunidade na lavoura.

Em setembro, a dúvida era sobre o país inteiro: por que o El Niño de 2026 ameaçava dividir o Brasil entre chuva e seca.

Não se sabe quantos episódios como o desta semana o Sul vai enfrentar até o fim do verão. O ciclone de agosto já testou essa região com ventos da mesma intensidade: sinal de que hoje não deve ser o último episódio da temporada.