Um levantamento do cientista político Alberto Carlos Almeida, com base em pesquisas Datafolha, mostra que a aprovação de Lula está na mesma faixa que nunca reelegeu presidente desde a redemocratização. O petista chegou a 35% antes do 1º turno, em 4 de outubro.
O cálculo cruza pesquisas desde 1989 e separa o desempenho presidencial em três faixas. A mais baixa, batizada de "inferno" por Almeida, vai até 33% de aprovação. Nela, todo governo que tentou se reeleger ou emplacar um sucessor perdeu a eleição.
| Faixa | Aprovação | Resultado nas eleições anteriores |
|---|---|---|
| Inferno | Até 33% | Todas as tentativas de reeleição ou sucessão terminaram em derrota |
| Limbo | 34% a 45% | 5 eleições definidas nessa faixa, todas com vitória do governo |
| Céu | Acima de 46% | Só 2 vitórias em 9 eleições (Lula em 2006 e Dilma em 2010) |
Lula passou grande parte de 2025 e 2026 na faixa "inferno", entre 31% e 33% de aprovação, e só subiu para o "limbo" perto do primeiro turno, quando chegou aos 35%.
Nenhum presidente com menos de 33% de aprovação venceu a disputa pela Presidência desde a redemocratização, segundo o levantamento.
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O padrão se repetiu em quatro eleições anteriores. Em 1989, José Sarney (PMDB) tinha 5% de aprovação e apoiou Ulysses Guimarães, que perdeu a eleição.
Em 2002, Fernando Henrique Cardoso (PSDB), com 22%, tentou eleger José Serra, e o resultado foi a primeira vitória de Lula à Presidência.
Michel Temer (PMDB), com 4% de aprovação, não conseguiu eleger Henrique Meirelles em 2018. Jair Bolsonaro (PL) chegou às urnas de 2022 com 29% de aprovação e também não foi reeleito.
A situação de Lula é muito delicada, desde março eu vinha dizendo isso. Ele teve uma pequena melhora nessa reta final. Se ficar estabilizado do jeito que está, ele caminha para uma derrota.
afirmou Alberto Carlos Almeida ao programa WW, da CNN Brasil.
Como está a disputa no 2º turno agora?
A pesquisa Datafolha mais recente, divulgada em 8 de outubro, mostra Flávio Bolsonaro (PL) com 52% dos votos válidos contra 48% de Lula, dentro da margem de erro de dois pontos percentuais. A amostra ouviu 2.520 eleitores entre 6 e 7 de outubro.
O levantamento tem registro BR-0949/2026 no TSE e foi contratado pela Folha de S.Paulo, jornal que mantém o instituto Datafolha. O cenário ainda está dentro da margem de erro, mas Lula segue fora da faixa que historicamente garantiu vitória a um presidente.
Outro instituto, a pesquisa Quaest que mostrou a aprovação de Lula subir a 46% no fim de setembro, apontava um cenário mais favorável ao petista, mas ainda dentro do "limbo" que Almeida descreve como incerto.
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A diferença entre os institutos também reflete a disputa que vem encolhendo nas pesquisas desde agosto, à medida que o apoio de partidos derrotados no 1º turno migra para Flávio.
O que acontece agora
O 2º turno será decidido em 25 de outubro. Até lá, outros institutos devem divulgar novas pesquisas sobre o cenário da disputa.
Flávio, enquanto isso, segue somando apoio partidário: o avanço nas alianças que ele vem construindo é um dos pontos observados por analistas. Para Almeida, a aprovação presidencial segue sendo o indicador mais associado ao resultado final da corrida.





























