O Corinthians corre risco de intervenção judicial em meio a uma crise dentro e fora de campo. O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) está na reta final de um inquérito sobre a dívida de R$ 2,8 bilhões do clube.

Torcedores foram à sede social no Parque São Jorge nesta segunda-feira (12) protestar e pedir a intervenção. No mesmo dia, o clube amanheceu sob o impacto de uma sequência de oito derrotas seguidas no Brasileirão, que já tinha custado o cargo ao treinador anterior.

O que o MP investiga

O inquérito, conduzido por força-tarefa desde maio, reúne mais de dez depoimentos e três mil páginas de documentos. Além da dívida, os promotores apuram a desorganização dos poderes internos e contratos considerados suspeitos.

Nesse mesmo inquérito, o MP denunciou o presidente Osmar Stábile por suposto peculato ligado à contratação da empresa de segurança Bear Security.

Segundo a denúncia, o clube pagou R$ 721.194,66 à empresa entre julho de 2025 e agosto de 2026 para cobrir despesas de segurança pessoal do dirigente.

Em nota, o Corinthians afirmou que a contratação ocorreu diante de riscos à integridade do presidente e de familiares dele.

A contratação da citada empresa de segurança ocorreu diante de riscos à integridade do presidente e de seus familiares.

O clube argumenta que a acusação ainda exige análise judicial e não é prova de responsabilidade criminal. Stábile segue na presidência até que a Justiça decida sobre o pedido de suspensão cautelar feito pelo MP.

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O que acontece se a intervenção for aprovada

Um interventor seria nomeado, com limites definidos pela Justiça, o que pode não afetar todos os dirigentes igualmente. Romeu Tuma Júnior, presidente do Conselho Deliberativo, já admitiu risco de atraso no calendário eleitoral do clube.

Os dirigentes mais poderosos tendem a sofrer mais com eventuais sanções, caso do próprio Stábile, hoje candidato à reeleição.

O MP ainda pode optar por um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) em vez da intervenção, mantendo a diretoria no poder mas com caminhos de correção. Não há prazo oficial, mas espera-se desfecho antes das eleições internas do clube.

A crise financeira já aparecia em números: em setembro, o Corinthians registrou rombo de R$ 246 milhões, 78% acima do previsto. Dentro de campo, o clube contratou Clarence Seedorf como novo técnico para tentar estancar a crise esportiva.

A insatisfação também vem do vestiário: um jogador do elenco chorou e culpou a diretoria pela sequência de resultados ruins.