Modelos climáticos apontam 90% de chance de o Brasil enfrentar um El Niño "muito forte" até o fim de 2026, intensidade que pode se aproximar da do evento histórico de 1877. O fenômeno deve dividir o país entre chuva recorde e seca extrema.
Segundo nota técnica conjunta do INPE, do INMET, da Funceme e do Cemaden, as anomalias de temperatura na superfície do Pacífico Equatorial devem superar 2°C entre a primavera e o verão. É esse patamar que caracteriza um El Niño forte.
O Instituto ClimaInfo estima em 90% a chance de o fenômeno chegar à categoria "muito forte" nos próximos meses. Os modelos citam o El Niño de 1877 como a referência histórica mais próxima da intensidade projetada.
Como o Brasil se divide entre chuva e seca?
O país fica partido ao meio: o Sul deve receber chuva muito acima da média, enquanto o Norte e o Nordeste enfrentam seca e calor intenso até novembro. No Sudeste e no Centro-Oeste, a primavera tende a ser mais seca do que o normal.
O Brasil não vai ter uma seca ou uma enchente: vai ter as duas ao mesmo tempo, em pontos opostos do mapa.
Em Roraima, choveu apenas 45% do esperado entre julho e agosto. No Ceará, no centro-norte do Piauí e em partes do Rio Grande do Norte, da Paraíba, de Pernambuco e de Alagoas, o déficit hídrico projetado chega a 150 milímetros.
Chuvas fora do padrão já atrasaram a colheita de café em Minas Gerais e ameaçam a safra de 2027, antes mesmo do pico do fenômeno.
A bandeira amarela encarece a conta de luz há cinco meses, reflexo do nível dos reservatórios que abastecem as hidrelétricas do país.
O que acontece agora
A fase mais intensa do fenômeno deve se estender até o fim do ano. A seca no Norte e no Nordeste é projetada para continuar até novembro, e o excesso de chuva no Rio Grande do Sul deve se concentrar em outubro.
Chuvas fortes já deixaram 8 mortos em São Paulo e forçaram a retirada de 173 pessoas no Vale do Ribeira neste mês, antes mesmo do pico do fenômeno.
O ponto em aberto
Os modelos citam o evento de 1877 como a referência histórica mais próxima da intensidade projetada para este El Niño.
A distância de quase 150 anos entre os dois episódios deixa uma pergunta em aberto: o quanto a infraestrutura brasileira de hoje, da agricultura às hidrelétricas, está preparada para um fenômeno dessa escala.


























