O Inmet emitiu aviso vermelho para a primeira onda de calor da primavera, com temperaturas que podem chegar a 41°C em Cuiabá (MT) e 40°C em Campo Grande (MS) entre domingo (27) e segunda-feira (28). O alerta vale até quarta-feira (30) e abrange seis estados.
A causa é uma combinação de sistemas atmosféricos. Uma área de baixa pressão entre o norte da Argentina e o Paraguai empurra ar quente para o Sul do Brasil, enquanto uma área de alta pressão em altitude forma o chamado domo de calor.
O ar desce, se comprime e esquenta ainda mais, funcionando como uma tampa que retém o calor sobre a mesma região. É o que dificulta a chegada de massas de ar mais frescas nos próximos dias.
Nem todo mundo projeta os mesmos números. A MetSul Meteorologia, instituto privado, prevê picos entre 43°C e 45°C nos pontos mais críticos, acima da faixa oficial do Inmet.
As duas fontes concordam na origem do calor, mas divergem em até 4°C no pico, a diferença entre um dia quente e um dia perigoso.
O alerta vermelho do Inmet cobre Mato Grosso do Sul, Paraná e São Paulo por inteiro, além de partes de Mato Grosso, Rio de Janeiro e Minas Gerais. A MetSul soma ainda Goiás, Tocantins e Piauí à lista de estados sob risco.
Esta é a primeira de até nove ondas de calor previstas pelo Cemaden para o Brasil até dezembro.
O padrão já apareceu antes. Em agosto, o país registrou uma variação de quase 50°C, indo de -6°C a 44°C em uma semana.
Um estudo do Climate Impact Lab, da Universidade de Chicago, projeta 13,3 mil mortes no Brasil por causa do calor do Super El Niño até fevereiro de 2027, sendo Pará, Maranhão, Amazonas e Bahia os estados mais afetados.
Não é a primeira vez que o calor cobra esse preço no país. Um levantamento publicado em junho já havia relacionado ondas de calor a 120 mil mortes no Brasil em duas décadas.
Michael Greenstone, cofundador do laboratório, resume o avanço da pesquisa climática.
Há muito tempo, conseguimos prever os impactos das temperaturas nas colheitas e agora podemos prever o impacto no pior cenário.
A coautora Tamma Carleton reforça a urgência da preparação. "Precisamos mobilizar recursos agora para projetar, implementar e avaliar as ferramentas de preparação", disse ela.
O que acontece agora
O aviso vermelho do Inmet vale até quarta-feira (30). Depois da onda de calor, o Inmet prevê aumento gradual da umidade e retorno das chuvas em diferentes áreas do país, conforme a estação avança na transição entre período seco e chuvoso.
Quantas ondas de calor ainda estão por vir
Esta é a primeira de até nove ondas de calor previstas pelo Cemaden para o ano. Ainda restam oito, se a previsão se confirmar.
O pico dos efeitos do Super El Niño, segundo o Climate Impact Lab, só deve chegar em fevereiro de 2027, quando a primavera já tiver terminado.





























