O mercado financeiro não vê condições de antecipar o calendário do Desenrola 3.0 para antes do 2º turno, em 25 de outubro. Segundo apuração do Metrópoles, bancos ainda negociam com o Ministério da Fazenda os critérios de compra das carteiras de dívida pelo governo.

O programa foi criado por medida provisória assinada pelo presidente Lula em 25 de setembro. A União compra em leilão carteiras de dívidas inadimplentes de até R$ 10 mil, com desconto mínimo de 90%.

Pela regra, só entram dívidas com atraso entre 720 e 1.645 dias.

A estimativa oficial do governo é repassar o desconto para até 15 milhões de devedores, nesta que é a terceira fase do programa.

Publicidade

Por que os bancos resistem

Fontes do setor financeiro ouvidas pelo Metrópoles dizem que as instituições não querem se comprometer com o debate eleitoral caso a medida seja antecipada, mesmo que a antecipação não signifique renegociação imediata para o consumidor.

Uma eventual antecipação, segundo essas fontes, valeria apenas para uma fase prévia de cadastro das instituições credoras, não para a compra efetiva das dívidas.

A Federação Brasileira de Bancos (Febraban) recebeu de forma positiva o anúncio do Desenrola 3.0 em setembro, afirmando esperar que o programa ajude a reduzir o endividamento das famílias. A entidade não detalhou, porém, prazo para acelerar a adesão.

Publicidade

O que acontece agora

Pelo cronograma oficial, o chamamento para propostas de compra começa em novembro, com entrega de propostas em dezembro e homologação em janeiro de 2027. Os contratos e o repasse do desconto aos devedores ficam para fevereiro.

O episódio repete um padrão das fases anteriores do programa. O Desenrola 3.0 mudou o modelo para a União comprar a dívida direto, depois que a 2ª fase rendeu menos que a 1ª na adesão de credores.

A discussão sobre antecipar etapas do programa ocorre no mesmo período em que o segundo turno entre Lula e Flávio Bolsonaro concentra a agenda de governo e de campanha.