O encarregado da China para a América Latina, Qiu Xiaoqi, disse nesta segunda-feira (12) que Pequim manterá relações amistosas com qualquer governo da região, incluindo os de direita alinhados aos Estados Unidos, dias depois de Pequim sancionar o Paraguai por apoio a Taiwan.

"A China tem aderido consistentemente ao princípio da não interferência em assuntos internos e respeita as escolhas feitas pelos povos dos países latino-americanos", disse Qiu Xiaoqi, em evento sobre a relação do país asiático com a região, segundo o jornal estatal Global Times.

A fala ocorre com o senador Flávio Bolsonaro (PL) à frente nas pesquisas para a Presidência, rumo ao segundo turno de 25 de outubro contra Lula (PT). Segundo o Global Times, jornal estatal chinês, a autoridade não citou candidatos nem chefes de Estado.

O que Flávio diz sobre a China?

Flávio evita se posicionar ao lado de qualquer potência e promete pragmatismo. Em entrevista em Brasília no dia 8, disse que trabalhará tanto com os Estados Unidos quanto com a China no combate ao crime e no comércio, sem alinhamento automático a nenhum dos dois.

Não vou tomar partido. Meu lado será o povo brasileiro, seja ao lidar com a China, Israel, o Oriente Médio, a Argentina ou a Índia.

A fala, dada à imprensa em Brasília, resume a estratégia do candidato diante das dúvidas sobre seu alinhamento com o presidente americano Donald Trump, que mantém disputa comercial e tecnológica com Pequim. Flávio visitou Trump na Casa Branca em maio.

Antes do 2º turno, analistas já apontavam que Pequim prefere a vitória de Lula, mas evita criticar publicamente o adversário. A fala desta segunda reforça essa cautela diplomática.

A sinalização contrasta com a dureza usada dias antes contra quem rompe a política de "Uma só China". Na segunda (12), a China sancionou o ministro paraguaio Gustavo Villate com congelamento de bens e proibição de visto.

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O mesmo pacote atingiu o chanceler de Belize, Francis Fonseca. O episódio já expôs o dilema que o Brasil também enfrenta na relação com Taiwan, antes mesmo de o 2º turno chegar.

Em maio, o presidente paraguaio, Santiago Peña, visitou Taipé e se encontrou com o líder taiwanês, Lai Ching-te. O Paraguai é o único país da América do Sul que mantém relações diplomáticas com a ilha, abrindo mão de vínculo oficial com Pequim.

Para a China, ideologia não é a linha vermelha; o que não pode mudar é o reconhecimento de Taiwan. É a mesma régua aplicada ao Paraguai dias antes.

O que acontece agora

O segundo turno da eleição brasileira acontece em 25 de outubro, e o resultado deve redefinir o tom da relação com Pequim. A China é a maior parceira comercial do Brasil e a maior compradora das exportações do agronegócio brasileiro, segundo a Bloomberg Línea.

Se eleito, Flávio precisará equilibrar o apoio ao agronegócio entre Washington e Pequim, tema que já virou aposta de campanha, segundo análise da ex-ministra Tereza Cristina. O agro responde por boa parte das exportações brasileiras para a China.