O furacão Isaias atingiu a Flórida nesta sexta-feira (9) com ventos de 177 km/h, no limite para virar categoria 3. Antes de se formar, o Atlântico ficou 342 dias sem nenhum furacão, o intervalo mais longo em décadas na bacia.
O motivo por trás do silêncio é o mesmo fenômeno que já mexe com o clima do Brasil: o El Niño.
Segundo o Centro Nacional de Furacões dos EUA (NHC), a chuva do Isaias já atinge o Panhandle da Flórida e o sul da Geórgia. A chegada à costa está prevista para a noite desta sexta.
Furacões de categoria 2 têm ventos entre 154 km/h e 177 km/h, e o Isaias está no limite superior dessa faixa. "Seria o primeiro grande furacão no Atlântico desde o furacão Melissa, em outubro do ano passado", disse a meteorologista Mary Gilbert.
Por que o Atlântico ficou tanto tempo sem furacão
A temporada de 2026 no Atlântico foi marcada por baixa atividade "em parte associada às condições atmosféricas relacionadas ao El Niño", segundo a MetSul Meteorologia. O fenômeno altera os ventos em altitude de um jeito que dificulta a formação de ciclones na região.
Mesmo com o El Niño enfraquecendo a temporada como um todo, o Isaias encontrou uma brecha local: a água do Golfo do México está entre 30°C e 31°C, temperatura incomum para outubro.
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A alta umidade atmosférica somada a essa água mais quente permitiu a organização rápida do sistema. O mesmo padrão de calmaria seguida de pico abrupto apareceu em setembro: o furacão Polo bateu recorde de velocidade de intensificação rumo à categoria 5 no Pacífico.
O mesmo El Niño já divide o Brasil entre seca e chuva
O Inmet e o Inpe confirmaram chance de 99,4% de o El Niño atual ser forte, segundo o APEC Climate Center. O fenômeno já divide o país entre chuva e seca nesta safra, com efeitos opostos por região.
No Norte, Nordeste e parte do Centro-Oeste, a previsão é de pouca chuva e calor acima do normal, secando o solo e apertando pastagens e lavouras tardias.
No Sul, o cenário se inverte. O Rio Grande do Sul e Santa Catarina devem ter até 100 mm a mais de chuva, o que eleva o risco de doenças nas plantas de inverno.
O mesmo El Niño também eleva o risco de incêndio no restante do país, por causa do calor acima da média.
As próximas 12 horas são decisivas para saber se o Isaias chega à costa americana como categoria 2 elevada ou já como categoria 3. No Brasil, o Inmet projeta El Niño forte se estendendo pelo menos até 2027.
O ponto em aberto
Um Atlântico que passa quase um ano sem furacão e depois produz, de uma vez, um sistema perto da categoria 3 é um padrão que meteorologistas ainda monitoram com cautela.
O furacão Polo, que bateu recorde de intensificação no Pacífico na mesma safra, sugere que a calmaria pode esconder picos abruptos quando as condições locais favorecem a formação. É uma leitura do padrão, não uma previsão fechada para o resto da temporada.





























