A Anfavea reduziu a projeção de exportação de veículos para 2026 de 461 mil para 435 mil unidades, queda de 17,7%. A entidade aponta a crise na Argentina e o avanço de montadoras chinesas na América Latina como causas da piora.

Caminhões e ônibus puxam a retração: a projeção de vendas desses veículos pesados no mercado interno caiu de 6% para 6,5% de queda em 2026, e os emplacamentos de caminhões já recuaram 10,5% no primeiro semestre.

O contraste aparece nos ônibus elétricos: as exportações desse nicho quase dobraram, um sinal de que a demanda por veículos pesados não desapareceu, só mudou de tecnologia mais rápido do que a indústria brasileira tradicional conseguiu acompanhar.

Por que a China ganha espaço nesses mercados?

A Argentina, principal comprador latino-americano de caminhões brasileiros, reduziu as compras do Brasil enquanto aumentou a presença de modelos chineses, segundo a Anfavea. O mesmo movimento já tinha colocado a China à frente do Brasil como maior fornecedor do mercado argentino em agosto.

"Uma das coisas que a gente nunca pensou na Anfavea foi em fechar o mercado. Todos nós somos favoráveis à competição", disse o presidente da entidade, Igor Calvet.

"É uma abordagem muito mais ativa de fiscalização e compliance para a entrada de produtos importados", completou Calvet. A partir de 2027, a Anfavea vai monitorar mais de perto as condições de importação e os regimes de montagem dos fabricantes chineses de veículos pesados.

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O que acontece agora

Enquanto a Anfavea prepara a fiscalização mais rígida, fabricantes chineses avançam por outra via: a Zhongtong estuda construir uma fábrica de ônibus de R$ 100 milhões no Brasil, o que mudaria o jogo de concorrente importador para concorrente instalado no país.

O setor ainda vive, porém, de um bom momento geral: a própria Anfavea já havia projetado o Brasil alcançando 3 milhões de veículos vendidos em 2026, puxado pelo mercado interno de carros de passeio.